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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Memorial do Convento - Apresentação oral

Memorial do Convento
Tópicos possíveis de apresentar:
1. Os conceitos de: justiça (enquanto conceito propriamente dito e enquanto exercício prático); integridade; dignidade; dever (cumprimento de um dever); sacrifício (ou modos de encarar a ideia de sacrifício, nomeadamente tendo em consideração o Livro de Job); virtude (o que é um homem virtuoso); esquecimento (vantagens e desvantagens de uma atitude “esquecida” ou uma atualização do conceito de esquecimento); imaginação (confronto com a ideia romântica de imaginação. O que é uma imaginação produtiva); mentira (o que é mentir?); edificação (como se apresenta e será que se apresenta este conceito ao longo da ação da obra?); perdão; resignação e/ou aceitação; destino; sombra.
2. Conceito(s) de religião em Memorial do Convento, de José Saramago.
3. Estrutura da ação da obra; identificação, caracterização e papel desempenhado por cada personagem.
4. Relações sociais em Memorial do Convento.
5. O que é viver num mundo de enganos?
6. Como enfrentar / suportar adversidades? Que estratégias se nos apresentam ao longo da ação da obra?











Síntese
Saramago, em Memorial do Convento, recorre a um momento da Historia e, em forma de narração alegórica, propõe uma reflexão sobre esses acontecimentos, sobre o comportamento e o destino humano e sobre um mundo onde há a magia do inexplicável.
Memorial do Convento evoca a História portuguesa do reinado de D. João V, no seculo 18, procurando uma ponte com as situações políticas de meados do século 20.
Durante o reinado, o rigor e as perseguições do Santo Ofício aumentam com vitimas que tanto podem ser cristãos novos como todos os considerados culpados de heresias, por se associarem a práticas mágicas ou de superstição.
Memorial do Convento caractireza uma época de escessos e diferenças sociais, que se mantêm na atualidade: opulência/miséria – poder/opressão – devassidão/penitência – sagrado/profano – amor ausente/amor sincero.
Memorial do Convento é uma narrativa histórica que entrelaça personagens e acontecimentos veríficos com seres conseguidos pela ficção.
Romance histórico, Memorial do Convento oferece-nos uma minunciosa descrição da sociedade portuguesa do inicio do século 18. Romance social, dentro da linha neorrealista, preocupa-se com a realidade social, em que sobressai o operariado oprimido. Romance de intervenção, visa denunciar a história repressiva portuguesa da primeira metade do século 20. Romance de espaço, representa uma época, interessando-se por traduzir não apenas o ambiente histórico, mas também vários quadros sociais que permitem um melhor conhecimento do ser humano.
Em Memorial do Convento, há duas linhas condutoras da acção: a construção do convento de Mafra e as relações entre Baltasar e Blimunda.
A ação principal é a construção do convento de Mafra, que entrelaça o desejo megalómano do rei com o sofirmento do povo.
Pararelamente à acção principal, encontra-se uma acção que envolve Baltasar Sete-Sois e Blimunda Sete-Luas, numa história de espiritualidade, ternumar, misticismo e magia.
As duas acções, que se encaixam, sugerem uma profunda humanidade trágica.
Os espaços físicos e sociais privilegiados são Lisboa e Mafra
A reconstituição da História passa pela ficção, revelando um aparente desprezo do tempo.
Em Memorial do Convento o romance histórico convive e entretece-se com o universo mágico criado pela ficção.
As personagens servem a própria intenção do autor na necessidade de repensar os acontecimentos e as figuras históricas à luz de uma nova realidade criada no presente e pressentida no futuro.
As personagens femininas adquirem, na obra, um claro relevo: D. Maria Ana é uma rainha triste e insatisfeita, que vive um casamento de aparência e com escrúpulos morais nas relações sexuais e nos sonhos; Blimunda é a mulher com capacidades de vidente e possuidora de uma sabedoria muito própria, cheia de sensualidade e amor verdadeiro.
Saramago reijeita a omnipotência do narrador, na medida em que considera que é o autor que põe em causa o presente que conhece e o passado que lhe chega através das suas investigações. Para Saramago a omnipotência do narrador é pura ficção.
Uma voz narrativa controla a acção narrada, as motivações e os pensamentos das personagens, mas faz tambem as suas reflexoes e juizos valorativos.
A História, em Memorial do Convento, torna-se matéria simbólico para refletir sobre o presente, na perspectiva da denúncia e dela extrair uma moralidade que sirva de lição para o futuro.
Observando o Memorial do Convento, julgamos que a escrita saramaguiana persegue uma preocupação com o ser humano, a sua miséria e a sua luta, as injustiças e os seus anseios, a sua grandeza e os seus limites.
Em Memorial do Convento há diversas vezes um discurso de sobreposições narrativas com uma voz que tanto descreve como descontronstroi as situacoes, que dialoga com o narratario ou manuseia as personagens como títeres, que domina os conhecimentos da História ou se sente limitado, que faz ponderações ou ironiza.
Estrutura
A estrutura de Memorial de Convento apresenta duas linhas condutoras da ação – construção do convento de Mafra e relações entre Baltasar e Blimundam – que se entrelaçam com acontecimentos diversos recolhidos na História ou fantasiados.
Memorial do Convento está dividido em 25 partes, ou capítulos, não nomeadas nem numeradas, mas perfeitamente reconhecíveis (pelos espaços que as separam)
Personagens
D Joao / Baltasar Sete Sois / Blimunda Sete Luas / Padre Bartolomeu Lourenco / O Povo







MOMENTOS – capítulos
1 – Relação Rei/Rainha e a promessa da construção do convento em Mafra
2 – Os milagres conseguidos pelos fanciscanos e o seu desejo na construção do convento
3 – A situação socioeconomica: excesso de riqueza/extrema pobreza
4 – Baltasar Sete-Sois regressa da guerra maneta
5 – O auto de fé no Rossio e o conhecimento travado entre Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu
6 – O padre Bartolomeu e a máquina voadora
7 – Nascimento da vinha de D João, Maria Barbara
8 – Os poderes de Blimunda em ver dentro dos corpos
                Nascimento do segundi filho de D. João V, o infante D. Pedro
                Escolha do alto da Vela em Mafra para edificar o convento
9 – O Padre Bartolomeu Lourenco parte para a Holanda, enquanto Sete-Sois regressa a Mafra, a casa dos pais, acompanhado de Blimunda
10 – Nascimento do infante D. José, terceiro filho da Rainha
                Doença do rei, enquanto o seu irmão D. Francisco tenta a cunhada, revelando â rainha o interesse em tornar-se seu marido
11 – Regresso do padre Bartolomeu, que deseja que Blimunda consiga armazenar éter composto de “vontades”
12 – Inauguração da primeira pedra do convento, a 17 de novembro de 1717
14 – O musico Scarlatti, napolitano de 35 anos, que ensina a infanta D. Maria Barbara, toma conhecimento do projecto da passarola
15 – A epidemia da cólera e da frebre amarela e a recolha das “vontades” por Blimunda
16 – A concretização da viagem da passarola voadora, com o padre Bartolomeu, Baltasar e Blimunda
17 – O regresso de Baltasar com Blimunda a Mafra, onde começa a trabalhar nas obras do convento, e anúncio da morte do padre Bartolomeu em Toledo
18 – Caracterização dos gastots reais e dos trabalhores em Mafra
19 – Baltasar torna-se boieiro e participa no carregamento da pedra do altar verificando-se, durante o transporte, o esmagamento de 1 trabalhador
21 – Decisão de D. João V de que a sagração do convento se fará em 22 de outubro de 1730, data do seu aniversário
22 – Casamentos da infanta Maria Barbara com o principe Fernando VI de Espanha e do principe D jose com a infanta espanhola Mariana Vitoria
23 – Baltasar vai ao Monte Junto e desaparece com a passarola
24 – Blimunda procura Baltasar, enquanto em Mafra se faz a sagração do convento, em 22 de Outrubro de 1730
25 – Durante nove anos Blimunda procura Baltasar e vai encontra-lo em Lisboa a ser queimado num auto de fé
A religião
Nada instruído ou informado, o povo português facilmente se deixa manipular pela Igreja, pelos seus mandamentos anacrónicos e muito afastados dos princípios defendidos por Jesus Cristo. O próprio rei e demais elementos da corte se incluem nesta categoria, pois pactuam com todos os desejos e interesses da Igreja que ninguém ousa sequer contestar ou interrogar, sob risco de ser acusado de blasfémia ou heresia.
A religião era, na época, um verdadeiro ópio popular, a forma sagaz, inteligente e inebrante de que a igreja dispunha para manter a ordem e os seus grandes lucros. O povo, miserável e analfabeto, vivia continuamente na esperança de um qualquer milagre. É, na ignorância, um povo feliz que «desce à rua para ver desfilar a nobreza toda» para ver chegar o cardeal D. Nuno da Cunha, esquecendo que são estes os responsáveis pela sua desgraça.
Personagem colectiva e anónima, consubstancia-se nos vários populares que reflectem a miséria encardida, as péssimas condições de subsistência, a ignorância e a exploração de que são vítimas. E, no entanto, «este povo habituou-se a viver com pouco.» e não é capaz de evidenciar uma atitude crítica, nem de assumir uma postura reivindicativa ou de revolta, de tal forma vive embriagado com os dogmas da Igreja, assustado com atitudes ou pensamentos que possam significar o julgamento ou o castigo em autos-de-fé, encarados também como diversão, tal como as touradas.
Com esta consciência, a Igreja sabe tirar partido da sua posição de superioridade e da influência que exerce, funcionando simultaneamente como entretenimento e tribunal, alertando os mortais para os perigos que correm caso não respeitem os mandamentos da santa Igreja. Mas não faculta o exemplo, todos sabem que muitos membros do clero desrespeitam os votos que fizeram, que os seus mais altos dignatários são a personificação da vaidade, da luxúria, da gula, pecados com que se engana o povo, com o intuito de o manter ignorante e mais facilmente manipulável.



Crítica à Igreja
Ponto alto da sátira político-religiosa, o auto-de-fé ou solene julgamento/execução do tribunal da Inquisição, constitui ocasião e motivo singulares para uma ácida crítica comum, à rainha e ao povo.
À rainha, porque, apesar do luto pela morte de seu irmão José, o Imperador da Áustria, e apesar do seu estado, ela não deixaria de frequentar tão solene cerimónia, não fosse a debilitação causada pelas sangrias a que foi submetida. (página 49).
Ao povo, porque sedento de crueldade, oscila na sua preferência entre o auto-de-fé e as touradas (página 50).
O povo, néscio e atrasado, caracterizado por uma grande e indesmentível acefalia religiosa, participa com o mesmo entusiasmo nos autos-de-fé e em novenas e romarias para que a rainha dê ao reino um herdeiro.
A Igreja promove e fomenta, igualmente, as discrepâncias sociais:  «desinteressa-se Deus ... mais os irmãos» (página 109).
O Santo Ofício é continuamente alvo de crítica: «Dos julgamentos do Santo Ofício não se fala aqui.. bocas.» (página 195).
Estamos, pois, em presença de uma crítica mordaz a este modo bem particular de praticar a religião. O poder da Igreja é tanto que consegue ludibriar o povo, embriagá-lo com o fervor religioso e criando-lhe a noção de um Deus omnipresente, nada benevolente ou pacificador, mas castigador. Este poder é exercido com grande demagogia, com consciência de que a religião, de acordo com determinadas regras e preceitos, pode constituir o ópio do povo. Demagógica será, portanto, a procissão de graças por o Espírito Santo ter sobrevoado a Vila de Mafra e a crença de que todos os trabalhadores do convento contribuem para a glória de Deus.









Conceitos
Justiça – Tanto para uns e tão pouco para outros
Dever – Rei e Rainha têm um dever (herditariedade)
Sacrifício – O povo tem sacrificio, tal como o Rei e a Rainha
Relações Sociais – Nobreza e Clero dominam o povo
Sombra
No que diz respeito à presença actuante e poderosa da cor negra350, metáfora da
sombra e da morte, ela está bem patente na crítica que o narrador dirige aos
procedimentos inquisitoriais que condenam ao cárcere, ao degredo e à fogueira:
a tarde desce depressa, mas o calor sufoca ainda, o sol de garrote, sobre o
Rossio caem as grandes sombras do convento do Carmo, as mulheres mortas
são descidas sobre os tições para se acabarem de consumir, e quando já for
noite serão as cinzas espalhadas, nem o Juízo Final as saberá juntar, e as
pessoas voltarão às suas casas, refeitas na fé, levando agarrada à sola dos
sapatos alguma fuligem, pegajosa poeira de carnes negras, sangue acaso
viscoso se nas brasas não se evaporou (p. 54)
nas touradas, e também nos autos-de-fé, há neles e nelas um furor que torna
mais fechadas as nuvens fechadas que as vontades são, mais fechadas e mais
negras, é como na guerra, treva geral no interior dos homens (p. 146,
destacados nossos).
O tom negro e sombrio é igualmente visível quando o narrador se refere aos
sofrimentos que Mafra representa: «O sol já se pôs, Mafra, em baixo é escura como um
poço» (p. 111), e «Em baixo, distingue-se confusamente o traçado dos caboucos, negro
sobre sombra, há-de ser ali a basílica» (p. 125, destacados nossos).
No sentido de ilustrar a presença de notações visuais e efeitos de luz, deve-se, por
outro lado, lembrar o momento em que se ergue a alegoria do voo, representada pelos
movimentos da sombra da passarola nas paredes da abegoaria, numa espécie de
antecipação da elevação:
350 Para se conhecer a simbologia das cores, sobretudo da cor negra, sugere-se a leitura do artigo “Da
Excelência das cores”, HATHERLY, Ana, in O Ladrão Cristalino. Aspectos do imaginário barroco, ed.
cit., pp. 335-347.
131Fez-se noite (…) Duas candeias mal alumiavam a abegoaria. Nos recantos a
escuridão parecia enovelar-se, avançando e recuando consoante as oscilações
das pequenas e pálidas luzes. A sombra da passarola movia-se sobre a parede
branca. Estava quente a noite. Pela porta aberta acima do telhado do palácio
fronteiro, viam-se estrelas no céu já côncavo (p. 173).
Acresce ainda a presença da cor negra e a associação homem/formiga a convocar
a alegoria da morte e a colocar a tónica nas crueldades a que são sujeitos os
trabalhadores do convento de Mafra: «e depois vem outro homem que transportará a
carga até à próxima formiga, até que, como de costume, tudo termina num buraco, no
caso das formigas lugar de vida, no caso dos homens lugar de morte»

Tópicos de opinião


·         Relação do conteúdo da obra ao mundo actual
·         A missão de Saramago para os leitores
·         A liberdade época da obra & a liberdade actual no Mundo
·         Relação da ideia de esquecimentos da obra a fenómenos da mesma espécie no Mundo actual

domingo, 25 de novembro de 2012

A Mensagem, Antemanhã & Nevoeiro - Apresentação Oral

Antemanhã

O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: "Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quer desvendar?

E o som na treva de ele rodar

Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou-se e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar -
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar

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No que conta a uma análise estilística do poema, são possíveis de concluir os seguintes aspectos:

Métrica - 2 Sétimas  Versos Octossilábicos, com excepção do primeiro e quinto verso da primeira estrofe que são decassilábicos.

Esquema Rímico - Rime em esquema "aabaaca"

Número de versos - 14

Notas: Uso abundante de terminações em "ar", uso de metáforas e duplicações sonoras.

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"Antemanhã" é o alvorecer, o tempo em que o dia está a surgir em alvorada. Este poema é o equivalente da Europa, o quarto Império Intelectual. Depois da "Noite", a alma decide em "Tormenta" sair do estado em que se encontra, o que a leva à "Calma" resultante da sua decisão. Agora segue-se o nascer do Novo Dia, numa "Antemanhã" que levará a um futuro ainda desconhecido.

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No que conta a uma análise contextual da primeira estrofe, é possível identificar que:

Fernando pessoa resgata uma figura simbólica para servir de interpelador de quem procura o Encoberto.

Aqui, o mostrengo é diferente de quando no poema "O Mostrengo" (segunda parte, "Mar Português"). É actualmente mais humano, rendendo-se ao simbolismo, parecendo menos vivo, irreal, despido de sentimento e iluminado por uma outra luz. Numa relação a Os Lusíadas, conclui-se que lá, é o Adamastor que se transforma em cabo, sendo que aqui ocorre o contrário, sendo o cabo (realidade) que se transfigura numa essência (irrealidade)

Foi um relâmpago de Deus que iniciou este "novo dia sem acabar". "Um novo dia" significa uma nova era e um novo princípio. Neste momento, o mostrengo fala e avisa, ao contrário das suas acções anteriormente. Aqui, tem uma atitude motivadora, e não assustadora, criando um caminho limpo e mais fácil, não obstáculos ao mesmo.

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer-
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo que encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma te,
Nem o que é o mal nem o que é o bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

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Numa análise estilística do poema, é possível concluir os seguintes aspectos.

Métrica - 1 Sextilha, 1 Sétima e 1 verso isolado. Versos octossilábicos, com excepção do verso isolado que tem apenas 3 sílabas.

Esquema rímico - Rima em esquemas "ababba" e "abbcddd" respectivamente. O verso isolado rima com o quarto verso da sétima.

Número de versos - 14

Notas - Uso de metáforas, uso de negatividade, divisão do poema em duas partes (colectiva e individual, respectivamente), uso de anáforas e antíteses.

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Fernando Pessoa termina A Mensagem com o poema "Nevoeiro", quinto poema dos "Tempos". 

Este poema é aquele que representa o Quinto Império, o Império Espiritual. Aqui, define-se a actualidade portuguesa como decadência, dispersão e névoa (fazendo lembrar a camoniana <austera, apagada e vil tristeza>).

Coerente, como sempre, Pessoa fecha a mensagem seguindo uma vontade inicial na obra. Deixa a sensação de todo, de projecto global, que é dividido em partes, mas sem que essas partes só existam quando ligadas entre si.

"Nevoeiro" é assim um poema velado, triste e imperativo, como o próprio Fernando Pessoa. Aqui, não se assiste a uma invocação linear e comum do passado. É um poema de conclusão, que eleva a tristeza, um sentido de missão, bem como uma ponte para o futuro, para uma hora marcada para o nascer do Novo Sol, a fim de destruir "O Nevoeiro".

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Numa análise contextual da primeira estrofe, é de importante referência:

Numa análise microscópica caracteriza-se o momento do país. Nota-se desespero, face a um país em alma, sem originalidade, que nenhum governante, nenhuma mudança pela força, o poderá regenerar verdadeiramente. Continuará então a ser o "fulgor baço da terra", um "Portugal a entristecer".

Pessoa depara-se com o facto de haver um brilho exterior, ou seja, uma vida existente na parte de fora de todos os indivíduos, ou seja, vê que há quem enriqueça, quem tenha família, quem procrie, e quem morra. Mas toda a vida sem sentido é como "brilho sem luz e sem arder". É mais ainda, é pior, é "como o que o fogo-fátuo que encerra" ou seja, é a aparência do brilho, mas sem luz interior, sem esse mesmo brilho, interiormente. Quem vive assim não vive, sobrevive somente. Apresenta então um brilho que se assemelha aquele que sai dos cemitérios, dos pântanos, um brilho artificial e podre, apagado, próprio dos corpos mortos e decompostos.

Fernando Pessoa intenciona pintar um quadro intemporal que caracterize o português, onde quer que queiramos apontar na barra cronológica assistente à nossa existência. Um povo que se queixa sempre do mesmo, num ciclo vicioso e cansativo, sem fim a vista, seja como for. 

Analisando contextualmente a segunda estrofe, são relevantes os seguintes tópicos:

Depois de ver o "Nevoeiro" como um todo, depara-mo-nos agora com análises particulares.

Portugal é então um país perdido, onde "ninguém sabe que coisa quere", onde "ninguém conhece que alma tem" sem noção nem do que "é o mal nem o que é bem". Portugal assiste uma sociedade amoral, desligada dos mais altos valores, da nacionalidade, do espírito de unidade religiosa, sobretudo da irmandade, havendo no entanto uma esperança ténue que reside no intimo de cada um, encaminhando e florindo um desejo de mudança.

Mas tudo é tão "incerto e derradeiro", "dispersos". "Nada é inteiro" que Fernando Pessoa termina com um desabafo "Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

Numa análise à terceira e última curta estrofe, nota-se que:

Depois de duas estrofes mortas, Fernando Pessoa grita de peito cheio de ar, ao infinito: "É a Hora!" (Resposta à pergunta deixada na segunda estrofe do poema "sem título" em os "Avisos").

Não se deduz se esta hora será humana ou divina, mas será certamente uma hora certa e inevitável.

Com esta frase final, Fernando Pessoa desvanece-se, tal como o "mostrengo servo", deixando a cada um de nós a tarefa de revelar em nós mesmos os mistérios que ele nos tem vindo a anunciar. A mensagem da Mensagem é então procurar no íntimo a razão que ilumina a vida que vale a pena ser vivida, sendo assim uma tradução a um final que se caracteriza e a nós se apresenta como optimista e positiva.

Um "Adeus" sincero como um forte aperto de mão e um fiel e firme abraço.






sábado, 20 de outubro de 2012


Os Lusíadas, Canto V (26.36) - Episódio de Fernão Veloso

Após um imediato desembarque, os tripulantes dispersam-se, ansiosos de ver coisas novas numa terra que nunca tinha sido descoberta. Vasco da Gama, fica na praia com os pilotos, afim de marcar, tomando com a altura do sol, este ponto do mundo nas cartas geográficas. Verificou-se que já estava ultrapassado o trópico de Capricórnio e se encontravam entre este e o círculo polar antárctico  região desconhecida ao mundo. Vasco da Gama, rodeado dos seus companheiros, vê chegar um estranho, de pele negra, que os portugueses capturaram, quando ele estava a colher mel nos favos da montanha. O individuo vinha aterrorizado, como pessoa que nunca se vira em tal situação. Não era perceptível o que ele dizia, bem como não, os portugueses, entendia. Parecia mais selvagem que o bruto Polifemo. A ele lhe mostraram ouro, prata e a quente especiaria, não tendo nada disso o impressionado. Vasco da Gama manda-lhe mostrar coisas sem valor: contas transparentes, guizos  um barrete encarnado, agradando-lhe isso muito. Foi mandado soltar, com todos esses objectos, regressando á sua próxima povoação. No dia seguinte, os nativos vêm procurar peças iguais, mostrando-se já tão dóceis e familiarizados que Fernão Veloso se atreveu a ir ver como moravam, penetrando com eles, pelo mato. Veloso, confiando na sua força, julga-se seguro. Passado algum tempo, Vasco da Gama olhava ao longe a fim de avisar algum sinal dele, quando de súbito, ele aparece correndo para o mar, velozmente  O batel de Nicolau Coelho foi rapidamente recolhe-lo. Contudo, antes de o poder fazer, um negro atirou-se sobre Fernão Veloso, afim de lhe impedir o embarque. Outros se lançam sobre ele. Este aflito e sem ajuda, faz com que Vasco da Gama reme com força, vendo simultaneamente um grande bando negro. Ao mesmo tempo, segue-se uma nuvem de pedras e setas, ferindo Vasco da Gama numa perna. Sendo o retorno uma devida resposta, acertando-lhes em vários locais do corpo, avistando-se sangue. Recolhendo-se agora às naus, já com Fernão a salvo, entenderam que daquele gente não necessitavam, encontrando-se assim a si mesmos, ainda muito longe da Índia  Já na nau, um companheiro de Veloso diz que aquele outeiro é mais fácil de descer do que subir, ao mesmo tempo que sorriam todos. Fernão Veloso concorda, dizendo que se apressou por se lembrar que os colegas na praia estavam sem ele. Fernão contava que, após um certo momento, foi ameaçado de morte caso não voltasse para trás. Veloso, fê-lo, não tentando uma teórica emboscada sobre os portugueses quando estes o fossem buscar.

Tiago Oliveira, nº22, 11ºD
Os Lusíadas - Relação entre Ovídio e Os Lusíadas

Ovídio acaba por relatar toda a etapa de criação e desenvolvimento primário do mundo. Iniciando-se pelo desagregar da terra, do céu e do mar, dado o planeta se encontrar em desequilíbrio  sendo que estas três grandes forças, encontravam-se em combate. Mais à frente, aquando de toda uma conclusão da formação da Terra, surgiu a necessidade de um ser particularmente mais inteligente, suficientemente habilitado para gerir todos os restantes no planeta, aparecendo deste modo o Homem. O nascer deste começa-se por denominar “idade de ouro”, na qual o mal era simplesmente inexistente, onde tudo se desenrolava da melhor forma e mais perfeita possível. Contudo, o mal começou a vir ao de cima, sendo que a perfeição acabou por se desvanecer, iniciando-se na “idade da prata” e terminando na “idade do ferro”. Estes materiais foram escolhidos por esta forma cronológica fazendo uma metáfora com a sua proporção existencial de hoje em dia, sendo que, o metal mais raro, o ouro, é o mais valioso, e o ferro, o mais comum, o menos.
A relação com Os Lusíadas remete para a “idade do ouro”, que como explicado anteriormente, é uma altura em que o mal não existe, quando tudo se desenvolve na perfeição, quando as paisagens são belas, entre outros impossívelmente melhores aspectos. Isto acontece particularmente durante o episódio da “ilha dos amores”, no qual é possível identificar uma descrição inimaginável, pelo lado positivo, da ilha, não tendo sido notada nenhuma existência de sentimento de mal, seja em quem for, no momento lá na ilha presente.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD


Os Lusíadas, Canto IX (83.84) - O valor simbólico dos casamentos

Toda a floresta ressoa de beijos famintos, de mimoso choro, de zangas depressa convertidas em risinhos. O que mais aconteceu naquela manhã e na sesta, é melhor experimenta lo que imagina-lo, mas imagine-o quem o não pode experimentar. Desta forma, já juntas as Ninfas com os navegantes. Enfeitam-nos com coroas de flores, de louros e de ouro. Dão-se as mãos como esposas, e com palavras formais e estipulantes, prometem-se eterna companhia na vida e na morte. Os casamentos entre as ninfas e os marinheiros navegadores remete para a recompensa que estes obtêm, no seu encontro matrimonial com as Ninfas. Este, é um amor verdadeiro, retratando a evolução da base física de todas as relações.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD

Os Lusíadas, Canto IX (75.82) - A história de Leonardo

Leonardo, rapaz de boa presença, com qualidades, cavaleiro e dado a amores, a quem Amor não dera apenas um desgosto, mas sempre o tratara mal, e que já sabia que não era feliz em amores, mas ainda não perdera a esperança de mudar a sua sorte. Quis o destino que Leonardo corresse atrás de Efire, exemplo de beleza  que se mostrava mais esquiva que qualquer das outras ninfas. Enquanto corria, dizia-lhe: “Ó formosura em quem não fica bem a crueldade, já que eu te rendi a minha vida, espera um corpo de quem já tens a alma. Todos se cansam de correr, e só tu foges de mim? Quem te disse que era eu? Se to disse a desventura que sempre me acompanha, não acredites nela, porque eu fui enganado sempre que nela acreditei. Não canses, que me cansas! Se foges de de mim para que eu te não possa tocar, espera por mim e verás que mesmo que esperes, eu nunca te alcançarei. Espera, e vamos ver que subtil forma encontra agora a minha pouca sorte para que me escapes. E no fim verás que “tra la spica e la man qual muro he messo”. Não fujas, E também não fuja o breve tempo da tua formosura. Tu podes ,só com abrandar o passo, conseguir o que nunca conseguiram imperadores nem exércitos: vencer a força do destino, que sempre me perseguiu em tudo o que desejei. Tomas o partido da minha desgraça? É fraqueza dar ajuda ao mais forte contra o mais fraco. Levas contigo o meu coração? Larga-o, e correrás mais depressa. Não te sentes carregada pelo peso desta alma que levas enredada nos teus cabelos de ouro? Ou, depois de a prenderes, mudaste-lhe o destino que passou a pesar menos? Nesta única esperança te vou seguindo: ou tu não aguentas o peso da minha alma, ou a força da tua beleza lhe mudará a triste e dura estrela. Se mudar, não fujas mais, porque amor te ferirá, e então serás tu a esperar-me. E, se me esperas, nada mais espero”. A linda ninfa fugia, mas agora já não tanto pode-se fazer difícil  como a principio, como para ir ouvindo o doce canto e os queixumes apaixonados de Leonardo. E, já toda banhada de riso e de alegria, deixa-se cair aos pés do vencedor, que se desfaz em puro amor.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD

Os Lusíadas, Canto VI (95.99) - Relacionar com o episódio anterior determinando o que Camões refere acerca de mérito e recompensa

É por meio destes perigos assim, através destes graves trabalhos e temores, que se devem alcançar as honras imortais e os nobre títulos. Não é encostado sempre ao antigo tronco nobre dos antepassados, nem deitado em luxuosos leitos entre peles preciosas. Não é com requintados manjares, não com passeios insolentes e inúveos, não com futilidades que enfraquecem os animais dos filhos dos nobres, não com ambições que a Fortuna tem sempre tão atraentes que não permite a ninguém que mude de rumo por se dedicar a obras de verdadeiro valor. Mas procurar, com os próprios braços, honras que seja mesmo suas; vigiando, vestindo as armas, sofrendo tempestades, suportando os frios ventos do sul, engolindo alimentos corruptos temperados só com duro sofrimento. E com dominar-se e não mostrar medo, mostrando seguro ante a bala de fogo que assobia e leva a perna ou o braço ao companheiro. É desse modo que se forma um calo honroso que despreza as honras e o dinheiro que a sorte, e não a virtude concedem. Assim se esclarece a inteligência e se atinge uma serenidade que permite ver as coisas do alto e julgar as confusas relações entre os homens. São estes o que, numa sociedade regida pelo dinheiro e não pelas amizades, devem ser chamados, mesmo contra as suas vontades, a exercer o Poder.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD

Os Lusíadas, Canto VI (70.94) - Momentos centrais

Neste instante o mestre toca o apito. Os marinheiros acordam em ambos os bordos. O mestre manda recolher os traquetes das gáveas, porque o vento está a aumentar. “Alerta!” diz ele, que o vento aumenta com aquela nuvem negra que avista. Ainda os traquetes não eram bem tomados quando o temporal cai sobre o navio. “Amaina, brada o mestre, amaina a vela grande!” Mas antes que façam a manobra os ventos furiosos fazem a vela em pedaços como um ruído que pareceu destruir o mundo. O terror da tripulação é grande e a gritaria fere os céus porque, no momento em que o vento rasgou a vela, a nau abanou muito, e meteu muito agua pelos bordos “Alija, ordena o mestre, alija tudo ao mar! Corram outros à bomba, que nos estamos a alagar!” Os corajosos soldados correm a dar à bomba; os balanços do navio são tão violentos que os atiram todos para um dos bordos. Três homens não chegam para governar o leme; tentam agarra-lo com cordas, presas a um e outro lado, mas todos os esforços são em vão. Os ventos eram tão fortes que o não poderiam ser mais, ainda que viessem para derrubar a Torre de Babel. A grande nau parece um pequeno batel nas ondas gigantescas, e até espanta ver como se aguenta no mar. Na grande nau de Paulo da Gama, o vento quebra o mastro pelo meio e vai toda alagada; a gente chama por aquele que veio ao mundo para a salvar. Também há gritos no navio de Nicolau Coelho, se bem que ai o mestre houvesse tido a cautela de amainar a vela antes do tufão. As ondas ora levantavam os navios até as nuvens, ora os faziam descer até parecer que lhe queria mostrar o inferno. Os ventos queriam arruinar a maquina do mundo; na noite negro fuzilavam raios que incendiavam o céu  As aves marítimas faziam ouvir o seu triste canto junto da costa brava, recordando o seu pranto por causa de um naufrágio; os delfins namorados escondem-se nas suas covas, fugindo à tempestade e aos ventos que nem no mar os deixam estar seguros. O sórdido ferreiro que fez as armas do enteado Eneias não fabricou tantos raios durante a guerra dos gigantes; nem Júpiter arremessou tantos relâmpagos durante o dilúvio do qual só se salvaram os dois que transformaram pedras em gente. As valentes ondas derrubaram montes, velhas árvores foram arrancadas pelos ventos caléricos, sem nunca terem pensado que as suas fortes raízes pudesse desenraizar e, também as areias profundas nunca imaginariam que pudessem ficar em cima. Vasco da Gama, vendo-se perdido quando já estava tão perto do seu objectivo, confuso de tremor  implora aquele remédio para o qual nada é impossível por estas palavras: “Divina guarda, que governas os céus  o mar e a terra: Tu que salvaste o povo de Israel no mar vermelho, que livras-te S. Paulo do seu naufrágio, que resgvardas-te da morte de Noé e os seus filhos. Se eu já passei por perigos novos, mas tão terríveis como o são os de Cila e Caríbdis, ou os da Sirtes arenosas, ou o dos Acroceráunios malditos  porque nos desamparas no fim de tantas horas difíceis  se este nosso trabalho, longe de te ofender só pretende servir-te?. Ó! Dilosos os que morreram entre as lanças africanas, dando a vida pela fé!. Ao menos desse ficou a memória gloriosa de que ganharam a vida, com perdê-la, porque a honra com que morre tornam a morte mais doce. Enquanto Vasco da Gama dirige aos céus esta súplica, os ventos bramam furiosamente como touros que lutam, e assobiam nas cordas do navio. Relâmpagos medonhos, trovões imensos, parecem quer que o céu saia dos seus êxitos e desabe sobre a terra. Mas já a estrela da manhã brilhava no horizonte. A Deus Vénus, de quem foge Orionte, ao ver o estado do mar e a situação da armada portuguesa, sentiu-se tomada pelo medo e pela ira. “Isto são, com certeza, obras de Baco”, diz a deusa. “Mas ele não vai conseguir o que quere, porque eu descubro sempre os seus maldosos atrevimentos” E dizendo isto desce rapidamente ao mar e ordena às Ninfas amorosas que se enfeitem com grinaldas de rosas. Manda por grinaldas de varias cores, que desafiam os cabelos louros das Ninfas. Quem não dirá que há rubras flores debaixo daquele ouro natural que Amor enfia? E decide (Vénus) abrandar com amores a força dos ventos, mostrando-lhes as amadas ninfas, mais famosas que as estrelas. Logo que os ventos vêm as Ninfas, sentem-se sem forças para lutar. Os cabelos delas, mais luminosos que os raios, ataram-nos de pés e mãos. A Linda Oritia fala deste modo ao vento Bóreas, de quem era amante: Não creias, Boreas , que eu acredite que me tivesses alguma vez amado verdadeiramente  a brandura é o mais certo sinal do amor. Se puseres imediatamente fim a esta ventania, nada mais esperas de mim, porque contigo a o amor verte-se em medo. Do mesmo modo a linda Galateia dizia ao feroz Noto que bem sabia que ele há muito já não tirava os olhos dela, e bem crê que ele alcance o que pretende. O valente vento nem pode acreditar no que ouve; o coração mal lhe cabe no peito, de contente e logo abranda a sua fúria  Também as outras ninfas amansaram os ventos seus amantes, que se renderam todos ao amor. Vénus prometeu favorecer os seus amores, e deles recebeu homenagem, e a promessa de que lhe seriam leais nesta viagem. Já a manhã iluminava os outeiros das terras onde o Ganges corre quando, do alto da gávea, os marinheiros enxergam terra pela proa. A tempestade passou, desvanecem-se os temores. O piloto melindano diz: “Terra é de Calcute  se não me engano”. É esta a terra que buscais, a verdadeira Índia  Os vossos trabalhos terminam aqui. Vasco da gama não contém a sua emoção por se achar em terra conhecida e, de joelhos no chão erguendo as mãos aos céus  deu graças a Deus. Dava graças a Deus, e razão tinha para as dar: não somente encontrava a terra que com tanto trabalho procurava, como se via livre das ameaças de morte no mar, como quem desperta de um terrível pesadelo.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Será o voto universal suficiente para afirmarmos que vivemos em democracia?

Actualmente, Portugal detém um regime político democrático, bem como muitos outros países europeus, americanos e asiáticos, onde para chegar ao modo como somos governados hoje, foram necessários inúmeros impensáveis sacrifícios a todos os níveis, bem como, doses infinitas de coragem por parte de todo o povo, afim de melhorar a qualidade de vida de todos e de cada um.
Contudo, após alguns anos desde o fim dos estados ditatoriais em alguns países, questiona-se se a democracia não se classificará como somente aparente. Num ponto de partida, democracia é sinónimo de liberdade, opinião, escolha, decisão e orientação pessoal, onde o discurso, por mais fora do comum que seja, deverá ser nada mais do que respeitado. Hoje em dia, o povo que se encontra num estado democrático, questiona-se da sua veracidade e realidade.
No mundo em que me insiro, ainda jovem, facilmente detecto falhas de democracia, ou seja, momentos e locais onde rapidamente percebo que os pressupostos democráticos não estão de todo em cima da mesa. Na escola, por exemplo, o aluno, pelo menos de hoje em dia, encara-se que a verdade advém da autoridade, inteligência é a habilidade de decorar e repetir, e onde a memória rápida e a repetição são premiadas, o não concordar trás consigo um castigo e está somente imposta a obediência intelectual e social a todos os níveis. Daqui a cerca de um ano, estarei pela primeira vez numa mesa de voto, onde ao marcar um visto, escolho um grupo de indivíduos para me governar, onde os seus pressupostos de governo serão superiores aos dos seus restantes adversários. Sinceramente, a teoria é algo em que eu desde á muito deixei de acreditar  pois a prática uma diferente verdade me mostrou, a de que um político, seja ele qual for, não terá praticamente cérebro  coragem ou coração, bem como, reduzidos serão os seus valores éticos, ou até nulos.
Deste modo, os pressupostos democráticos passam a ser inexistentes ou pagos, pois o voto diferente será igual, a opinião julgada e castigada e a liberdade tornar-se-a vigiada. Daqui, extrai-se que o caminho de vida para um actual ser humano na melhor das hipóteses será trabalhar, comprar, consumir e morrer. A democracia inclui um estado, que acaba por se movimentar a favor próprio e dos seus interesses e, não dos do seu povo, que o escolheu para lutar por si. Estado esse que influencia e cega, através do que está presente na nossa vida, como por exemplo a televisão, onde esta nos faz ter medo, estar sozinhos, criar-nos insegurança, tornar-nos dependentes, indiferentes, mentalmente controlados e onde esta é o nosso principal terrorista.
No fundo, tudo se resume á ilusão da escolha, onde os que se irritam com aqueles que dizem a verdade, são aqueles que estão a viver a mentira. Sociedade onde quem pouco roube é quem está preso, e quem muito, continua liberto e ainda mais bem visto. Grande parte do povo, acaba por saber de todas as falácia presentes no sistema, mas nem assim fazer alguma coisa para a sua mudança, tornando-se esses e, nada mais do que verdadeiros escravos de um sistema que nos afoga e nos faz estar livres dentro de uma prisão. Já dizia Einstein que havia duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana, e que ainda estava em dúvida em relação ao universo. O sistema acaba por necessitar do voto de cada um para sobreviver, podendo ser a abstenção total, uma verdadeira manifestação. A culpa disto se manter assim é nossa, pois se queremos algo que nunca tivemos, temos de fazer algo que nunca fizemos.
O povo tem que entender que, se acabar a vida de um modo miserável, porque durante todo o seu decorrer foi sempre ouvindo a mãe, o pai, o professor, o padre  ou alguém na televisão a dizer-lhe como deveria fazer as coisas, então foi um fim merecido.
É triste aquele grupo que tomam a autoridade como verdade e não a verdade como autoridade, pois mais vale ser odiado pelo que sou do que amado pelo que não. Traduzindo-se a um jogo de xadrez, é possível concluir que o rei são as empresas, a rainha o estado, o bispo a igreja, o cavalo os militares, que acabam por defender o nosso pior inimigo  a torre a lei e o pião, nós. O homem trabalho, o estado rouba o que providenciou do trabalho do cidadão, não se esforçando por si mesmo e não seguindo as suas devidas arbitrárias funções, onde uma folha de “excel” significa gestão.
É possível provocar uma mudança, pois um sonho que seja individual é apenas um sonho, mas um sonho sonhado em conjunto, é uma realidade.

Tiago Oliveira, 12ºD, nº22

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tragédia

Conceito de "Tragédia"

Aristóteles não se preocupou em estabelecer qualquer teoria sobre a tragédia nem se concentrou nos aspectos técnicos do espectáculo mas no comportamento do público. Concluiu que o espectáculo trágico para realizar-se como obra de arte deveria sempre provocar a Katarsis, a catarse, isto é a purgação das emoções dos espectadores.
Assistindo as terríveis dilacerações do herói trágico, sensibilizando-se com o horror que a vida dele se tornara, sentindo uma profunda compaixão pelo que o destino reservara ao herói, o público deveria passar por uma espécie de exorcismo colectivo.
Atribui-se à concepção de Aristóteles, que associa a tragédia à purgação, ao fato dele ter sido médico, o que teria contribuído para que ele entendesse a encenação dramática como uma espécie de remédio da alma, ajudando as pessoas do auditório a expelirem suas próprias dores e sofrimentos ao assistirem o desenlace.
Descreve tragédia como imitação de uma acção completa e elevada em uma linguagem que tem ritmo, harmonia e canto. Nela actuam os personagens directamente, não havendo relato indirecto, sendo, por isso, chamada de drama. A sua função é provocar por meio da paixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos
A tragédia clássica deve cumprir, ainda segundo Aristóteles, três condições: possuir personagens de elevada condição (heróis, Reis  deuses), ser contada em linguagem elevada e digna e ter um final triste com a destruição ou loucura de um ou vários personagens, sacrificados por seu orgulho ou por se rebelar contra as forças do destino.

Tiago Oliveira, nº21, 11ºD




segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aparicao - Vergilio Ferreira


Apresentação Oral - "Aparição" de Virgílio Ferreira

Aparição é um romance de Virgílio Ferreira, que contem teorias, filosóficas, relacionadas com o existencialismo. É escrito em primeira pessoa e publicado em 1959, sendo a personagem principal, o também narrador Alberto Soares.

Alberto Soares - O único filho solteiro do Dr. Álvaro Soares, um médico e lavrador e de D.Susana.

Tem dois irmãos: Tomás, engenheiro e também lavrador, casado com Isaura, tem dez filhos e é o preferido do pai.

O outro irmão é Evaristo, o preferido da mãe, é o mais novo, é casado com Júlia, filha de um industrial rico, e tem um filho.

Nasceu na Serra da Estrela.

É na montanha que Alberto encontra a proteção, no entanto, após a morte do pai, essa mesma protecao perde o seu sentido, desvanecendo-se, abandonando ele posteriormente a serra, indo viver para a cidade.

Alberto Soares, o protagonista, começa a refletir sobre a sua vida. No início do primeiro capítulo ele começa a contar-nos a história da sua vida.

Ele conta acerca da sua estadia em Évora e como nesse período de tempo, um ano letivo, ficou a lecionar nessa terra e conheceu pessoas com quem discutiu e aprofundou as suas teorias e os seus pensamentos.

Em Évora, Alberto, criou duas relações  uma relação com uma mulher, Sofia, criou uma relação amor ódio com Ana, a irmã de Sofia. Ambos discutiam acerca das teorias existenciais do autor e ela desvalorizava e valorizava em simultâneo a lógica deste, sendo que desta forma, ao longo de todo o livro, é criada alguma dificuldade em perceber se Ana gosta ou não de Alberto pois ela constantemente acompanha o seu pensamento, como o julga, critica e está contra ele.

Existe ainda outra personagem, também irmã de Sofia, que é Cristina. Cristina era uma crianca e tocava muito bem piano, sendo essa uma das pessoas com que, a meu ver, com quem Alberto sentia-se verdadeiramente confortavel e calmo.

Avancando um pouco na historia, vemos alberto mais a frente a falar acerca do passado e do porquê de ele apresentar hoje e pensar em teorias filosoficas.

O seu pai morre, no entanto, para além disso existem várias outras mortes de personagens também importantes, tendo todas uma simbologia como por exemplo a de Cristina, dado o facto dela (IMPORTANTE) ser perfeita demais para viver neste mundo onde está presente a contradicao e a reflexao muito aprofundada, que a meu ver, acaba por eliminar as coisas básicas na vida (IMPORTANTE); 

-> Acaba por centrar parte do livro. No livro Alberto é constantemente "atacado" por ideias e filosofias de vida muito complexas, e pode-se dizer que, não fazia sentido, alguém perfeito como Cristina, a menina que tocava muito bem piano, viver neste mundo, não se questionando, não tendo defeitos, no fundo, ter uma vida não vivida, é o mesmo que ter uma vida não questionada. <- quando se tem defeitos, são criadas perguntas, a nós, ou no fundo, a esses mesmos defeitos, nem que seja o porquê de eles existirem. <-

O livro, a meu ver, também demonstra o pensamento do autor, Vergílio Ferreira, pois se o narrador pensa nestas teorias, dado esse ser na primeira pessoa, o autor do livro também pensava nestes assuntos, ou seja, isto demonstranos assim alguma biografia do autor.Alberto Soares, o protagonista, começa a refletir sobre a sua vida

Aparição é um romance, que tem como tema principal o problema da existência do homem no mundo. A personagem principal, sendo também essa o narrador, Alberto, procura encontrar  a verdade da vida, no entanto, isso é torna-se complicado, pois esta procura torna-se muito angustiante porque é acompanhada de um sentimento de solidão e incompreensão por parte de quem o rodeia

Na Aparição, é visível a filosofia existencialista, pois Alberto procura o "eu", surgindo esse em numerosas manifestacoes, e assim sendo, é perceptivel que o mesmo, apesas das pessoas que o rodeavam, ele sentia-se sozinho.

No fundo, Alberto, embora tendo muita gente à sua volta, sente-se sozinho nesse mundo porque, acima de tudo está a necessidade de ele se encontrar a si mesmo e todas essas pessoas que a volta dele circulam acabam por ser insignificantes ou pelo menos, não estarem realmente presentes porque não é essa presença a necessidade de Alberto.

Por isso, Alberto vive constantemente em conflito com a sua condição humana, acreditando que a sua existência não pode mudar de qualquer forma, mesmo considerando até, que nem a intervencao divina o conseguiria fazer.

Neste romance encontra-mos alguma simbologia que é dada a entender, como por exemplo a noite, associada à morte, entre outras. Porquê? Porque neste romance são várias as mortes que acontecem, e assim sendo todas elas levam, por pouco que seja, o narrador a fazer reflexoes de vida.

Por isto mesmo, nota-se ao longo de todo o romance que a maior parte dos espacos em

relas, a lua e a música também são elementos simbólicos que levam a personagem / narrador a sentir-se num cenário propício à sua reflexão existencialista. De facto, tanto no início como no fim da obra, a lua (a noite) está presente no momento em que Alberto se senta na varanda para meditar. Porém, no primeiro capítulo temos um «eu» angustiado que questiona o absurdo da vida e da morte, enquanto que no último capítulo temos um «eu» apaziguado e rendido à evidência da condição humana.

No primeiro capítulo temos um «eu» angustiado que questiona o absurdo da vida e da morte, enquanto que no último capítulo temos um «eu» apaziguado e rendido à evidência da condição humana.

Concluindo, este proporcionou bons momentos de reflexão, dado essas mesmas que o narrador nos faculta e presencia ao longo do livro.

Tiago Oliveira, nº21, 11ºD