sábado, 20 de outubro de 2012


Os Lusíadas, Canto VI (95.99) - Relacionar com o episódio anterior determinando o que Camões refere acerca de mérito e recompensa

É por meio destes perigos assim, através destes graves trabalhos e temores, que se devem alcançar as honras imortais e os nobre títulos. Não é encostado sempre ao antigo tronco nobre dos antepassados, nem deitado em luxuosos leitos entre peles preciosas. Não é com requintados manjares, não com passeios insolentes e inúveos, não com futilidades que enfraquecem os animais dos filhos dos nobres, não com ambições que a Fortuna tem sempre tão atraentes que não permite a ninguém que mude de rumo por se dedicar a obras de verdadeiro valor. Mas procurar, com os próprios braços, honras que seja mesmo suas; vigiando, vestindo as armas, sofrendo tempestades, suportando os frios ventos do sul, engolindo alimentos corruptos temperados só com duro sofrimento. E com dominar-se e não mostrar medo, mostrando seguro ante a bala de fogo que assobia e leva a perna ou o braço ao companheiro. É desse modo que se forma um calo honroso que despreza as honras e o dinheiro que a sorte, e não a virtude concedem. Assim se esclarece a inteligência e se atinge uma serenidade que permite ver as coisas do alto e julgar as confusas relações entre os homens. São estes o que, numa sociedade regida pelo dinheiro e não pelas amizades, devem ser chamados, mesmo contra as suas vontades, a exercer o Poder.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD

Os Lusíadas, Canto VI (70.94) - Momentos centrais

Neste instante o mestre toca o apito. Os marinheiros acordam em ambos os bordos. O mestre manda recolher os traquetes das gáveas, porque o vento está a aumentar. “Alerta!” diz ele, que o vento aumenta com aquela nuvem negra que avista. Ainda os traquetes não eram bem tomados quando o temporal cai sobre o navio. “Amaina, brada o mestre, amaina a vela grande!” Mas antes que façam a manobra os ventos furiosos fazem a vela em pedaços como um ruído que pareceu destruir o mundo. O terror da tripulação é grande e a gritaria fere os céus porque, no momento em que o vento rasgou a vela, a nau abanou muito, e meteu muito agua pelos bordos “Alija, ordena o mestre, alija tudo ao mar! Corram outros à bomba, que nos estamos a alagar!” Os corajosos soldados correm a dar à bomba; os balanços do navio são tão violentos que os atiram todos para um dos bordos. Três homens não chegam para governar o leme; tentam agarra-lo com cordas, presas a um e outro lado, mas todos os esforços são em vão. Os ventos eram tão fortes que o não poderiam ser mais, ainda que viessem para derrubar a Torre de Babel. A grande nau parece um pequeno batel nas ondas gigantescas, e até espanta ver como se aguenta no mar. Na grande nau de Paulo da Gama, o vento quebra o mastro pelo meio e vai toda alagada; a gente chama por aquele que veio ao mundo para a salvar. Também há gritos no navio de Nicolau Coelho, se bem que ai o mestre houvesse tido a cautela de amainar a vela antes do tufão. As ondas ora levantavam os navios até as nuvens, ora os faziam descer até parecer que lhe queria mostrar o inferno. Os ventos queriam arruinar a maquina do mundo; na noite negro fuzilavam raios que incendiavam o céu  As aves marítimas faziam ouvir o seu triste canto junto da costa brava, recordando o seu pranto por causa de um naufrágio; os delfins namorados escondem-se nas suas covas, fugindo à tempestade e aos ventos que nem no mar os deixam estar seguros. O sórdido ferreiro que fez as armas do enteado Eneias não fabricou tantos raios durante a guerra dos gigantes; nem Júpiter arremessou tantos relâmpagos durante o dilúvio do qual só se salvaram os dois que transformaram pedras em gente. As valentes ondas derrubaram montes, velhas árvores foram arrancadas pelos ventos caléricos, sem nunca terem pensado que as suas fortes raízes pudesse desenraizar e, também as areias profundas nunca imaginariam que pudessem ficar em cima. Vasco da Gama, vendo-se perdido quando já estava tão perto do seu objectivo, confuso de tremor  implora aquele remédio para o qual nada é impossível por estas palavras: “Divina guarda, que governas os céus  o mar e a terra: Tu que salvaste o povo de Israel no mar vermelho, que livras-te S. Paulo do seu naufrágio, que resgvardas-te da morte de Noé e os seus filhos. Se eu já passei por perigos novos, mas tão terríveis como o são os de Cila e Caríbdis, ou os da Sirtes arenosas, ou o dos Acroceráunios malditos  porque nos desamparas no fim de tantas horas difíceis  se este nosso trabalho, longe de te ofender só pretende servir-te?. Ó! Dilosos os que morreram entre as lanças africanas, dando a vida pela fé!. Ao menos desse ficou a memória gloriosa de que ganharam a vida, com perdê-la, porque a honra com que morre tornam a morte mais doce. Enquanto Vasco da Gama dirige aos céus esta súplica, os ventos bramam furiosamente como touros que lutam, e assobiam nas cordas do navio. Relâmpagos medonhos, trovões imensos, parecem quer que o céu saia dos seus êxitos e desabe sobre a terra. Mas já a estrela da manhã brilhava no horizonte. A Deus Vénus, de quem foge Orionte, ao ver o estado do mar e a situação da armada portuguesa, sentiu-se tomada pelo medo e pela ira. “Isto são, com certeza, obras de Baco”, diz a deusa. “Mas ele não vai conseguir o que quere, porque eu descubro sempre os seus maldosos atrevimentos” E dizendo isto desce rapidamente ao mar e ordena às Ninfas amorosas que se enfeitem com grinaldas de rosas. Manda por grinaldas de varias cores, que desafiam os cabelos louros das Ninfas. Quem não dirá que há rubras flores debaixo daquele ouro natural que Amor enfia? E decide (Vénus) abrandar com amores a força dos ventos, mostrando-lhes as amadas ninfas, mais famosas que as estrelas. Logo que os ventos vêm as Ninfas, sentem-se sem forças para lutar. Os cabelos delas, mais luminosos que os raios, ataram-nos de pés e mãos. A Linda Oritia fala deste modo ao vento Bóreas, de quem era amante: Não creias, Boreas , que eu acredite que me tivesses alguma vez amado verdadeiramente  a brandura é o mais certo sinal do amor. Se puseres imediatamente fim a esta ventania, nada mais esperas de mim, porque contigo a o amor verte-se em medo. Do mesmo modo a linda Galateia dizia ao feroz Noto que bem sabia que ele há muito já não tirava os olhos dela, e bem crê que ele alcance o que pretende. O valente vento nem pode acreditar no que ouve; o coração mal lhe cabe no peito, de contente e logo abranda a sua fúria  Também as outras ninfas amansaram os ventos seus amantes, que se renderam todos ao amor. Vénus prometeu favorecer os seus amores, e deles recebeu homenagem, e a promessa de que lhe seriam leais nesta viagem. Já a manhã iluminava os outeiros das terras onde o Ganges corre quando, do alto da gávea, os marinheiros enxergam terra pela proa. A tempestade passou, desvanecem-se os temores. O piloto melindano diz: “Terra é de Calcute  se não me engano”. É esta a terra que buscais, a verdadeira Índia  Os vossos trabalhos terminam aqui. Vasco da gama não contém a sua emoção por se achar em terra conhecida e, de joelhos no chão erguendo as mãos aos céus  deu graças a Deus. Dava graças a Deus, e razão tinha para as dar: não somente encontrava a terra que com tanto trabalho procurava, como se via livre das ameaças de morte no mar, como quem desperta de um terrível pesadelo.

Tiago Oliveira, nº22, 12ºD
Relação do texto do Ovidio, com o episodio da ilha dos amores dos Lusiadas.


O episódio da Ilha dos amores é contado por Luís de Camões, nos Cantos IX e X d'Os Lusíadas. Nestes cantos, é relatada a vontade da deusa Vénus em premiar os heróis lusitanos, com um merecido descanso e com prazeres divinos, numa ilha paradisíaca, no meio do oceano, a Ilha dos Amores. Nessa ilha os portugueses podiam encontrar Ninfas lindas, maravilhosas, que os seduziam bastante, e que podiam namorar, paisagens lindas etc.
O livro do Ovídio relata a criação do mundo, e depois de concluída a terra era preciso criar um ser mais inteligente, ou seja, o homem, quando é criado o homem existe a idade do ouro onde tudo corria perfeitamente bem, passando depois para a idade de prata e depois a de ferro
O mito da Ilha dos Amores, narrado por Camões, confunde um pouco a realidade com a ficção, e é ai onde há uma relação com o texto do Ovídio, pois o texto também confunde um pouco a realidade com a ficção por vezes, mas a principal ligação é a da idade do ouro em que tudo era perfeito, paisagens maravilhosas e tudo mais, com era o que se passava na ilha dos amores em que tudo era completamente perfeito.

                                                                                                                      Afonso Limão Nº 2

O Episódio de Fernão Veloso


Assim como Leonardo, Fernão Veloso era um navegador valente e bravo, que se gabava constantemente da sua coragem e determinação.
Este episódio tem como espaço de acção o continente Africano. Os portugueses haviam acabado de embarcar. Após o desembarque, alguns navegadores foram explorar o local e acabaram por capturar um nativo que levaram para a embarcação. Foram mostrados ao nativo inúmeros objectos de valor e apenas mais tarde se percebeu que este só se interessava por objectos sem qualquer valor.
Oferecem-lhe esses mesmos objectos e deixam-no ir pacificamente. 
No dia seguinte surge a povoação local onde os portugueses desembarcaram. Fernão Veloso vai com os nativos até à sua povoação, pensando que lhe mostrariam os seus costumes. No entanto em pouco tempo volta para junto dos seus companheiros a correr, perseguido pelos aborígenes que o queriam matar. Foge de volta para a nau com ajuda dos companheiros e zarpam rapidamente do local. 
Já dentro da embarcação, Veloso, convencido, diz que só voltou repentinamente para ajudar os companheiros das dificuldades que enfrentariam brevemente.
O EPISÓDIO DE LEONARDO

No canto IX dos Lusíadas de Luís de Camões existe um episódio bastante conhecido da obra: a história de Leonardo.

Leonardo, um dos tripulantes da navegação portuguesa, era um soldado destemido, extrovertido, valente e namoradeiro. Leonardo já contara com várias decepções amorosas ao longo da sua vida, sendo que cada vez que se apaixonava era largado pela sua amada. Ainda assim este bravo navegador não perde a esperança de ser um dia correspondido.

Tendo isto, na Ilha dos Amores, uma das ninfas, Efire, capta atenção de Leonardo que a persegue tal como todos os seus companheiros perseguiam as suas enamoradas. Leonardo tenta encantar Efire, mas sem sucesso. Dedica-lhe os mais belas falas de amor, não conseguindo reverter a fuga da Ninfa. 

No entanto, passado algum tempo, a ninfa já com pena de Leonardo deleita-se com as suas palavras e acaba por se deixar levar pelos doces ditos do soldado. Consequentemente Leonardo derrete-se com a dedicação de amor de Efire à sua pessoa. Leonardo vê assim o seu destino a mudar, no momento em que é correspondido.

OS CASAMENTOS


A consagração matrimonial pode ver-se aqui como a purificação no seu estado mais real de um amor verdadeiro, evolução do prazer meramente carnal das relações íntimas entre as ninfas e os marinheiros. O Casamento enternece o laço que se perpetua entre os dois intervenientes nestas relações.

Pode relacionar-se estes casamentos com a ideia de recompensa, também. Os marinheiros obtém a tão desejada recompensa na sua junção matrimonial e divina com as belas Ninfas.


Afonso Ramos Bento Nº4 12ºD
OS LUSÍADAS

Tarefas:

  1. Ler Canto VI a partir da estrofe 70;
  2. Descrever a acção central da estrofe 70 a 94;
  3. Da estrofe 95 em diante relacionar os episódios das estrofes anterior com estes últimos e determinar o que diz Camões sobre as ideias de Recompensa e Mérito.
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Estrofes 70-94

70-> Alarme da tempestade que se avizinha;
71-> Grande primeiro impacto da tempestade;
72-80-> O abater da tempestade sobre os marinheiros (acção central do canto);
81-> Continua a descrição da tempestade. Nesta estrofe ora Vasco da Gama;
85-> Final da imensa tempestade;
86-> Descrição da aparição e sedução por parte das Ninfas aos corajosos marinheiros;
92-> Já terminado o episódio das ninfas dá-se por fim a chegada a Calecut;
93-> Finalmente após todas as vicissitudes os marinheiros Portugueses atracam em solo Indiano;
94-> Agradecimento a Deus pela chegada depois da quase morte na tempestade tremenda.

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Nas estrofes finais do canto VI, Camões realiza o enaltecimento da coragem da tripulação Lusitana. "Alcançam os que são de fama amigos/as honras imortais e os graus maiores". Pode denotar-se claramente nesta passagem o mérito dos marinheiros e a ideia de recompensa adquirida por Camões pela sua chegada a Calecut.
É simultaneamente referido tudo aquilo de que abdicam e as futilidades que dispensam em prol da sua coragem e espírito destemido de navegadores, acompanhados pela sempre presente determinação.

São desta forma valorizados pelos seus feitos tão merecedores de todo o Mérito e Recompensa.



Afonso Ramos Bento  Nº4 12ºD 


 





A Democracia e o direito de Sufrágio Universal
Será a garantia do voto universal suficiente para afirmarmos que vivemos em democracia?

Quando se pretende responder a uma pergunta de opinião, é necessário que se analisem os conceitos na mesma inseridos, em adição a uma determinada argumentação válida que colocará em confronto direto a reflexão do indivíduo a que cabe a resposta à questão, um olhar imparcial sob os factos inerentes à problemática e finalmente um comentário final totalmente subjectivo resultante da digestão de todos estes factores.
Comecemos então por definir Democracia e Sufrágio Universal. Convém assinalar que qualquer um dos conceitos apresentados não passa disso; uma definição aceite de um vocábulo. A visão que cada um tem dessa definição pode variar de acordo com a sua própria avaliação. É então necessário nesta fase o antes referido olhar imparcial sobre explicações aprovadas destes conceitos.
Entenda-se por Democracia, um tipo de ideal de governação no qual o poder e a responsabilidade cívica devem ser exercidos por todos os cidadãos, directamente ou através de representantes livremente aceites. Aceites como? Por quem? Surge assim a definição de Sufrágio Universal.
Sufrágio Universal é o direito de um cidadão mentalmente apto poder decidir, independentemente da sua religião, etnia ou cultura (do eleitor), quem desejaria que representasse a sociedade em que se insere.
Tendo em conta, que o ideal Democrático tem como pilares estruturadores o poder do povo e, a sua decisão conjunta no que toca à eleição dos seus governantes, respeita, supostamente a liberdade de expressão de cada um, conferida, claro está, pelo direito ao voto.
Neste ponto, penso faltar, contudo mais um conceito a definir: Liberdade. Liberdade é um dos conceitos mais complicados de esclarecer ao longo da história da humanidade. Ainda hoje, em pleno século XXI, não se consegue ao certo definir o que é esta máxima.
Liberdade é, opinião da qual eu partilho, uma causa que deveria num Mundo Perfeito ou Democrático ser, sem margem para dúvidas algo de pleno e totalmente garantido. Não deveria sequer ser questionado. A questão é que no Mundo de hoje, que se intitula democrático, liberdade é algo de irrisório. Algo que se imagina mas não se concretiza. Liberdade não é só sair de casa às três da manhã sem rumo e, voltar quando simplesmente se quer. Liberdade não é dizer tudo o que se pretende, só porque sim. A liberdade individual de um sujeito termina ao interferir com a liberdade individual de outro. A Liberdade é, como já disse, algo de irrisório. E porquê? E agora sim, se pode ir ao encontro da anteriormente referida fase de reflexão e olhar subjectivo sobre dados imparciais. Uma sociedade quando realiza as suas eleições, está supostamente em busca de alguém que atenda às suas necessidades e que a represente da melhor maneira. O problema reside no facto de existirem, desde o início da espécie humana “valores mais altos que se alevantam” ao da vontade própria de cada um. É necessário que haja consenso. Este consenso é, é por vezes encontrado ou dirigido por grupos hierarquizados da sociedade que por uma razão ou por outra estão acima dos restantes. De acordo com os ideais de liberdade esta distinção não deveria existir. Assim sendo, o voto individual não é, infelizmente sinónimo de liberdade democrática na sua totalidade, pois existem grupos de poder que levarão a cabo as suas medidas, revertendo as vontades do povo, para realizar algo que não vai de acordo com as necessidades conjuntas mas sim com as suas necessidades.
Dito isto, é inevitável que se fale da Democracia vivida em Portugal, ou da falta dela. A democracia é utilizada “quando dá jeito”. A democracia é hoje em dia, em certas vertentes uma ideologia de fachada, dirigida por pessoas que não sabem o que é fazer parte de uma sociedade, que se limitam apenas a tentar tirar o maior proveito do esforço dos outros. Neste momento o povo teme o seu governo, mas o governo é que deveria temer o seu povo, porque o povo é a maior parte da sociedade. Esta opinião é totalmente alheia a qualquer tipo de ideologia política, mas sim sustentada por ideologias de humanidade. O povo não deve ser visto como a escória da sociedade, mas sim a sua massa decisora. O Povo deve agir em conformidade com os seus governos, o povo deve ser ouvido e os governos respeitados e não corruptos.
Sem a intenção de ser repetitivo, a minha visão é que desde o começo a humanidade anseia por algo mais. Ela não sabe ao certo o seu rumo. Possui algumas pistas do caminho a seguir, que podem ser comparadas ao que de bom existe na Humanidade e, pelos indícios que o Homem é um ser bom. Ainda assim existe, e existirá sempre uma falta de conformidade entre a teoria e a prática.
A resposta final à questão inicial é não. O direito ao voto não é suficiente para afirmar que vivemos em liberdade numa democracia. É sem dúvida, um passo decisivo, mas muito falta para ultrapassar as constantes falcatruas e obscuridades de uma sociedade corrupta, que defende os interesses de um determinado grupo de indivíduos, em vez de apresentar a preocupação por um fim, que seria esse sim, louvável; proporcionar a todos os cidadãos o direito à sua liberdade, tranquilidade e a condições de vida aceitáveis.
A minha digestão está concluída.




Afonso Ramos Bento
Nº4 12ºD