terça-feira, 23 de outubro de 2012

Relação entre a Metamorfeses de Ovídio com os Lusíadas.


A Metamorfeses foi uma das obras mais famosas e considerados do poeta Ovídio. Caracteriza-se como sendo um poema narrativo que fala acerca das origens do mundo até seu tempo.
Este acredita que antes da formação do mundo, ou seja, quando não existia mar, nem terras, nem céu, o aspecto do mundo inteiro era considerado como sendo tudo informe e confuso, nada concordava, era tudo muito instável, não havia qualquer Titã que oferece-se luz ao mundo, logo um Caos. Ainda que houvesse mar, terra e atmosfera, as ondas não eram navegáveis e a atmosfera sem luz.
Um certo dia, Deus ou a natureza madura pôs fim a esse caos e desembaraçou a bola de neve que se tinha construído, criando assim um lugar harmonioso. O céu pôs-se a brilhar no ponto mais alto do mundo, a terra, sendo tão pesada, foi arrastada para baixo e a água flui à volta dos espaços que sobraram. Como o mundo não poderia ser habitado devido ao calor, mandou colocar neve em camadas para que assim houvesse um clima temperado. Logo, deus organizou a terra para que pudesse ser habitada, criando assim os animais. Mas faltava ser criado um ser superior a estes, ou seja, mais inteligentes, capazes de reger os outros animais. É com esse pressuposto que é criado o Homem.
Deu-se então o surgimento da idade de ouro caracterizado por ser uma idade onde tudo era perfeito e pacífico pois não havia leis, nem castigos, nem ameaças e todos eram livres. Depois desta sucedeu a geração de prata caracterizada como sendo inferior à de ouro mas superior à de bronze. Foi nesta idade que Júpiter dividiu o ano em quatro estações e que o homem se viu obrigado a cultivar a terra para poder ter o que comer. A esta sucedeu a terceira geração, a de bronze, onde a perfeição já se estava a perder e a ideia de guerra era principiante. Por último veio a idade de ferro onde a noção de lealdade e sinceridade se perderam por completo e em sua substituição vieram as noções de traição, violência e mentira.
Podemos assim relacionar a obra de Ovídio, no que se refere à idade de ouro, com o episódio da Ilha dos Amores de Lusíadas pois, tudo é sobreposto a uma perfeição vivida pelos marinheiros portugueses a um plano divino. A ilha serva de recompensa aos marinheiros portugueses pelo seu percurso e por isso é caracterizado como sendo o seu paraíso.

domingo, 21 de outubro de 2012

Canto VI Est 70-94


As estrofes 70 até 94 do canto VI apresentam-nos o episódio da tempestade, que ocorre na viagem de Melinde para Calecute. Dado que a embarcação estava já próxima de Calecute, Baco não querendo ver os portugueses alcançar o triunfo, com auxílio de Neptuno, faz forças para que os Deuses dificultem a viagem, com uma tempestade de ventos, ondas que fazem com que se quebrem mastros, as naus se alaguem juntamente com relâmpagos e trovões. 

 A tripulação insiste permanentemente em pedir que a divina providência os ajude, e é Vénus responde a tais pedidos enviando as ninfas para que seduzam os ventos e estes, acabam por enfraquecer.  

 Logo no final da tempestade, os portugueses avistam Calecute e ficam de novo esperançosos, finalizando com Vasco da gama a agradecer esta ajuda divina. Volta tudo à harmonia inicial. 

Canto VI 95-99 e a sua relação com as ideias de Mérito e Recompensa

 Luís de Camões ao apresentar-nos estas cinco estrofes deixa-nos também a sua reflexão pessoal acerca do episódio da Tempestade, no caminho para Calecute e transmite-nos a sua interpretação de duas caraterísticas essenciais na obra, mérito e recompensa.

 Para ultrapassar as dificuldades inerentes à tempestade os portugueses tiveram que se transcender e unir esforços, tiveram que lutar para glorificar o nome do seu país sem qualquer interesse ou objetivo secundário em vista. Para Camões, estes atos, repletos de pureza e genuinidade, são os mais íntegros e que merecem maior reconhecimento, pois assentam em valores e princípios que estão presentes no individuo independentemente das consequências positivas/ negativas dos seus atos. 

 Vemos neste episódio, no entanto, algumas marcas de preocupação por parte dos portugueses em morrer em viagem, pois em solo desconhecido e alheio ao seu, ninguém iria honrar devidamente a sua morte, o que reflete a necessidade do ser humano em ser reconhecido pelas suas bravuras. É esta também uma das razões porque ultrapassam os seus limites, pois morrer em Portugal faz com que não sejam esquecidos. Cria-se um antagonismo de ideias entre o morrer em terra e morrer em mar, sendo a morte em solo nacional uma morte com glória e a morte marítima uma desilusão total. 

 É também importante a ideia de que o povo português não se pode segurar na história honrosa feita pelos seus antepassados para garantir a sua própria glória. O facto de nascermos numa boa família ou num país reconhecido em qualquer parte do mundo não é suficiente para adquirirmos tal estatuto. Nós somos responsáveis pelos nossos próprios feitos e os outros pelos deles. É a estes que Camões faz a sua crítica, aos que se deixam levar pela ganância de aproveitar os feitos dos outros para se glorificarem a eles próprios, para que possam ser eles a receber as respetivas recompensas, afirmando que uma vida sem esforço não deverá ter as suas virtudes. 

 Os portugueses, que passaram pelas maiores adversidades, têm o direito de aspirar à honra imortal, pois o estatuto de herói não se atinge com facilidade. Após estes feitos, após todo o sufrágio, a dor começa a desaparecer e a fazer-se ver com mais dificuldade, pois a resistência é agora maior, sendo esta uma das grandes caraterísticas de um herói. 

 Pedro Tomé Nº19 12ºD

Ilha dos Amores com recurso a Ovídio

 O texto das metamorfoses sugere que quando a terra foi criada, o homem tinha todos os recursos ao seu alcance e com muita facilidade satisfazia as suas necessidades, só que essa facilidade transformou-se em preguiça e fez com que este não ganhasse a mínima preocupação com a natureza, a qual mais tarde ressentiu essa falta de cuidado e dificultou a vida ao homem, obrigando-o a gerir e cuidar melhor dos recursos. Também os valores que estão dentro do homem foram sofrendo alterações, passando estes de lealdade, honestidade ou o amor desinteressado para corrupção, inveja ou ambição desmedida.  


 No episódio da Ilha dos Amores é expressa a vontade de Vénus em reconhecer os marinheiros portugueses pela sua excecionalidade em ultrapassar desafios e premiá-los com o prazer divino num paraíso conhecido por Ilha dos Amores. Esta contemplação tem como valor simbólico a entrega que os deuses fazem aos marinheiros de imortalidade, a recompensa máxima conseguida por um ser humano. Esta caraterística está também relacionada com os valores destes portugueses, que assentavam essencialmente no facto de praticarem os atos pelos atos em si e não terem em vista qualquer recompensa ou interesse secundário, eram atos genuínos e puros. 

 Esta ascensão provocada pelos deuses, tem lugar na Ilha dos Amores, um paraíso que se assemelha à idade do ouro referido por Ovídio, pois neste lugar o homem fica livre de todos os males que o corrompem. Os marinheiros transcendem-se e partilham dos mesmo lugares e prazeres que os deuses, uma recompensa pelo seu esforço heroico. Outro aspeto presente em ambas as obras é a crítica que fazem à imoralidade do homem, ao seu interior obscuro que guarda caraterísticas como a ganância, pois o mundo, segundo Ovídio, começa num caos total que corresponde à viagem com rumo à India, que tem de ser organizado (ultrapassado) e daí resulta o paraíso que é a Ilha dos Amores ou a Idade do Ouro, pois em ambas as situações são os deuses os agentes causativos e o homem o elemento que destrói essa beleza natural, que se segue à idade do ouro.

 Pedro Tomé Nº19 12ºD
Mito de Actéon e Diana – Relação com os Lusíadas

 O mito de Actéon e Diana conta a história de um caçador corajoso, e de Diana uma bela mulher também com dotes para a caça.
 Num certo dia Diana foi-se balhar com outras Ninfas numa gruta onde se costumavam banhar, e para grande espanto da Ninfas viram um homem a observar Diana, esse homem era Actéon, apercebendo-se da presença do homem na gruta as Ninfas começaram a gritar e a correr para tentar tapar, esconder Diana para que esta não fosse vista, Diana furiosa com o que se tinha sucedido transformou Actéon num veado, saciando assim a sua raiva. Após se ter tornado um veado Actéon fugiu e enquanto fugia ele foi avistado pelos seus cães de caça que desataram a correr atrás dele, Actéon ainda tentou gritar para mostrar que era o seu dono mas não consegui pois a sua voz não saia, ele tentou suplicar aos cães que parassem mas não valeu de nada acabando por morrer.
O Mito de Actéon e Diana tem uma ligação com a história dos Lusíadas na medida em que Actéon foi morto pelos seus próprios cães que eram de confiança, e os portugueses também quando regressam da sua longa viagem do caminho marítimo para a índia, não tiveram o merecido reconhecimento que deveriam ter tido.


Afonso Limão Nº2
Navegadores Portugueses e as Ninfas -> Até que ponto se assemelham com Ácteon e Diana

A ideia central a destacar, no que toca às possíveis semelhanças nestes dois episódios é, na minha opinião, o conceito ilusório de presa e caçador.
No episódio da Ilha dos Amores nos Lusíadas os navegadores partem em busca das ninfas que fogem como se fossem as presas de um romance. No entanto, as Ninfas têm um plano e deixam-se dominar da maneira que querem e que escolhem. Aqui pode determinar-se que as Ninfas assumem de facto, o controlo da situação e que acaba por poder dizer-se que elas são as verdadeiras caçadoras.

No mito de Ácteon e Diana, o primeiro é um bravo caçador, com perícia no que faz. A sua principal ocupação era a caça, o que a fazia ser considerada como a divindade dos caçadores. Um dia Ácteon encontra Diana a banhar-se e esta, com fúria do descaramento transforma o caçador em veado, que é por fim comigo pelos seus próprios cães de caça. 

Penso que se pode estabelecer aqui uma semelhança com o episódio de Camões, em que é de uma certa forma revertida a situação de caçador e presa.

Da mesma maneira que Actéon, é atacado pelos seus cães de caça, que lhe seriam indubitavelmente fiéis, após ter sido transformado em veado, os tripulantes das embarcações portuguesas, os nobres navegadores, chegados da viagem à Índia, não obtém o devido reconhecimento e fama por parte daqueles que deveriam concedê-los.
Desta forma se assemelham também os finais das duas obras.

Afonso Ramos Bento Nº4 12ºD


Actéon/Os Lusíadas

                Actéon aparenta estar numa situação semelhante à dos soldados portugueses. Mas no caso dele, acabou por ter um resultado diferente pois a “ninfa” dele não era como as ninfas da ilha dos amores referidas em Os Lusíadas, esta não acaba por se oferecer a ele.
               De facto, não é por acaso que Ácteon é referido deiversas vezes em Os Lusíadas pois embora as situações pareçam diferentes, na verdade não são. Actéon tem um desfecho infeliz e os soldados portugueses, embora o desfecho na ilha dos amores ter sido perfeito, quando regressam a Portugal não são reconhecidos pelos seus pares daí que o final de Actéon não seja completamente diferente do herói épico de Camões.
 
Mark Alexandre Vaz nº17 12ºD
História de Leonardo


 Estas estrofes tratam da história de Leonardo, um português pouco dado ao sucesso amoroso. Este soldado, mesmo que sentisse o amor dentro de si, nunca tinha tido sorte ao amor correspondido. Pensava no seu futuro amoroso como algo predestinado à infortuna, mas mesmo assim não se conformava com esse facto e lutava por uma possível rutura no destino.

 Corria pois atrás da ninfa Efire, que era mais difícil de atingir que as outras e, já num estado de desespero, se declara suplicando-lhe para aceite o seu corpo, pois a sua alma já há muito que nela residia. Pede-lhe também para que, tal como ele, não acredite no destino que lhe estava traçado, pois o destino não permitirá que ele a consiga atingir.

 Tenta fazer-lhe perceber que só sentirá as virtudes do mundo na altura em que esperar por ele, utilizando aqui como metáfora a rapidez com que esta lhe foge. Leonardo, seduz a ninfa pela palavra, vai-lhe propondo algumas interpretações retóricas e esta vai ficando mais sensível ao seu amor, até que este lhe concede também a sua alma. Constata-se que o facto de esta ter dificultado o acesso ao seu amor disputou ainda mais a vontade do soldado de a ter, deixando-o agora num estado de total felicidade. 

Valor simbólico do casamentos

 As estrofes 83 e 84, do canto IX , apresentam-nos o  matrimónio contraído entre marinheiros e ninfas, neste caso especificado ao caso de Leonardo. Este episódio resulta das várias tentativas dos marinheiros por “apanhar” as ninfas na ilha dos amores, tentativas que alcançam o sucesso já perto do final deste canto. Os casamentos com as ninfas são para os marinheiros uma recompensa por todo o ultrapassar de dificuldades que se fizeram sentir até à chegada à Índia. Qualquer ação que contenha mérito próprio é suscetível de ser reconhecida. Esse reconhecimento, neste caso, passa pela entrega das ninfas aos marinheiros, e ao mesmo tempo representa metaforicamente o todo o seu esforço, pois tal como os marinheiros tiveram que lutar para conseguir chegar a estas deusas, também eles tiveram que suportar e passar por muitos obstáculos que se puseram no caminho para a Índia.

 Este reconhecimento é de extrema relevância para a tripulação nacional, pois sabem que mesmo que em Portugal não lhes seja dada a devida importância, já tiveram a sua recompensa, o que remete um pouco também para o que é dito acerca da sua partida e da companhia espiritual das ninfas, no final da obra. É também de salientar que esta recompensa pela glória dos que embarcaram pela pátria, é entregue de forma divina, dado que as deusas do amor se encarregam de satisfazer os prazeres destes marinheiros aventureiros.

Pedro Tomé Nº19 12ºD