A Mensagem, Antemanhã & Nevoeiro - Apresentação Oral
Antemanhã
O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: "Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quer desvendar?
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou-se e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar -
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar
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No que conta a uma análise estilística do poema, são possíveis de concluir os seguintes aspectos:
Métrica - 2 Sétimas Versos Octossilábicos, com excepção do primeiro e quinto verso da primeira estrofe que são decassilábicos.
Esquema Rímico - Rime em esquema "aabaaca"
Número de versos - 14
Notas: Uso abundante de terminações em "ar", uso de metáforas e duplicações sonoras.
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"Antemanhã" é o alvorecer, o tempo em que o dia está a surgir em alvorada. Este poema é o equivalente da Europa, o quarto Império Intelectual. Depois da "Noite", a alma decide em "Tormenta" sair do estado em que se encontra, o que a leva à "Calma" resultante da sua decisão. Agora segue-se o nascer do Novo Dia, numa "Antemanhã" que levará a um futuro ainda desconhecido.
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No que conta a uma análise contextual da primeira estrofe, é possível identificar que:
Fernando pessoa resgata uma figura simbólica para servir de interpelador de quem procura o Encoberto.
Aqui, o mostrengo é diferente de quando no poema "O Mostrengo" (segunda parte, "Mar Português"). É actualmente mais humano, rendendo-se ao simbolismo, parecendo menos vivo, irreal, despido de sentimento e iluminado por uma outra luz. Numa relação a Os Lusíadas, conclui-se que lá, é o Adamastor que se transforma em cabo, sendo que aqui ocorre o contrário, sendo o cabo (realidade) que se transfigura numa essência (irrealidade)
Foi um relâmpago de Deus que iniciou este "novo dia sem acabar". "Um novo dia" significa uma nova era e um novo princípio. Neste momento, o mostrengo fala e avisa, ao contrário das suas acções anteriormente. Aqui, tem uma atitude motivadora, e não assustadora, criando um caminho limpo e mais fácil, não obstáculos ao mesmo.
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer-
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo que encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma te,
Nem o que é o mal nem o que é o bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
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Numa análise estilística do poema, é possível concluir os seguintes aspectos.
Métrica - 1 Sextilha, 1 Sétima e 1 verso isolado. Versos octossilábicos, com excepção do verso isolado que tem apenas 3 sílabas.
Esquema rímico - Rima em esquemas "ababba" e "abbcddd" respectivamente. O verso isolado rima com o quarto verso da sétima.
Número de versos - 14
Notas - Uso de metáforas, uso de negatividade, divisão do poema em duas partes (colectiva e individual, respectivamente), uso de anáforas e antíteses.
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Fernando Pessoa termina A Mensagem com o poema "Nevoeiro", quinto poema dos "Tempos".
Este poema é aquele que representa o Quinto Império, o Império Espiritual. Aqui, define-se a actualidade portuguesa como decadência, dispersão e névoa (fazendo lembrar a camoniana <austera, apagada e vil tristeza>).
Coerente, como sempre, Pessoa fecha a mensagem seguindo uma vontade inicial na obra. Deixa a sensação de todo, de projecto global, que é dividido em partes, mas sem que essas partes só existam quando ligadas entre si.
"Nevoeiro" é assim um poema velado, triste e imperativo, como o próprio Fernando Pessoa. Aqui, não se assiste a uma invocação linear e comum do passado. É um poema de conclusão, que eleva a tristeza, um sentido de missão, bem como uma ponte para o futuro, para uma hora marcada para o nascer do Novo Sol, a fim de destruir "O Nevoeiro".
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Numa análise contextual da primeira estrofe, é de importante referência:
Numa análise microscópica caracteriza-se o momento do país. Nota-se desespero, face a um país em alma, sem originalidade, que nenhum governante, nenhuma mudança pela força, o poderá regenerar verdadeiramente. Continuará então a ser o "fulgor baço da terra", um "Portugal a entristecer".
Pessoa depara-se com o facto de haver um brilho exterior, ou seja, uma vida existente na parte de fora de todos os indivíduos, ou seja, vê que há quem enriqueça, quem tenha família, quem procrie, e quem morra. Mas toda a vida sem sentido é como "brilho sem luz e sem arder". É mais ainda, é pior, é "como o que o fogo-fátuo que encerra" ou seja, é a aparência do brilho, mas sem luz interior, sem esse mesmo brilho, interiormente. Quem vive assim não vive, sobrevive somente. Apresenta então um brilho que se assemelha aquele que sai dos cemitérios, dos pântanos, um brilho artificial e podre, apagado, próprio dos corpos mortos e decompostos.
Fernando Pessoa intenciona pintar um quadro intemporal que caracterize o português, onde quer que queiramos apontar na barra cronológica assistente à nossa existência. Um povo que se queixa sempre do mesmo, num ciclo vicioso e cansativo, sem fim a vista, seja como for.
Analisando contextualmente a segunda estrofe, são relevantes os seguintes tópicos:
Depois de ver o "Nevoeiro" como um todo, depara-mo-nos agora com análises particulares.
Portugal é então um país perdido, onde "ninguém sabe que coisa quere", onde "ninguém conhece que alma tem" sem noção nem do que "é o mal nem o que é bem". Portugal assiste uma sociedade amoral, desligada dos mais altos valores, da nacionalidade, do espírito de unidade religiosa, sobretudo da irmandade, havendo no entanto uma esperança ténue que reside no intimo de cada um, encaminhando e florindo um desejo de mudança.
Mas tudo é tão "incerto e derradeiro", "dispersos". "Nada é inteiro" que Fernando Pessoa termina com um desabafo "Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."
Numa análise à terceira e última curta estrofe, nota-se que:
Depois de duas estrofes mortas, Fernando Pessoa grita de peito cheio de ar, ao infinito: "É a Hora!" (Resposta à pergunta deixada na segunda estrofe do poema "sem título" em os "Avisos").
Não se deduz se esta hora será humana ou divina, mas será certamente uma hora certa e inevitável.
Com esta frase final, Fernando Pessoa desvanece-se, tal como o "mostrengo servo", deixando a cada um de nós a tarefa de revelar em nós mesmos os mistérios que ele nos tem vindo a anunciar. A mensagem da Mensagem é então procurar no íntimo a razão que ilumina a vida que vale a pena ser vivida, sendo assim uma tradução a um final que se caracteriza e a nós se apresenta como optimista e positiva.
Um "Adeus" sincero como um forte aperto de mão e um fiel e firme abraço.
Alunos do 12ºD, da Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras,no ano lectivo de 2012-13
domingo, 25 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Poemas D. João I e D. Filipa de Lencastre
A
mensagem de Fernando pessoa está dividida em 3 parte, o poema de D.João
Primeiro está situado na parte do Brazão. A primeira, Brasão,
utiliza os diversos componentes das armas de Portugal para revisitar algumas
personagens da história do país. O “Brasão”
corresponde à primeira parte e ao plano narrativo da história de Portugal, n’Os
Lusíadas, onde encontramos os heróis míticos ou mitificados, desde “Ulisses” a
“D.Sebastião, rei de Portugal”. Trata-se de heróis vencedores, nalguns casos,
mas falhados na opinião geral, ignorados, ou quase, por Camões.
Fernando Pessoa transmite esta
mensagem: a Portugal, nação construtora do Império no passado, cabe construir o
Império do futuro, o Quinto Império, Para Fernando Pessoa os quatro primeiros
impérios são o primeiro o Império Grego, o segundo o Império Romano, o terceiro o Cristianismo e
o quarto a Europa, Fernando Pessoa, na obra Mensagem, anuncia um novo império civilizacional, que, acredita ser o português. E enquanto o Império Português, edificado pelos heróis da Fundação da
nacionalidade e dos Descobrimentos é termo, territorial, material, o Quinto
Império, anunciado na Mensagem, é um espiritual. “E a nossa grande raça partirá
em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são
construídas daquilo que os sonhos são feitos… “A Mensagem contém, pois, um
apelo futuro”.
Poema D.joao I:
D.João foi mestre sem saber,
defensor do templo sagrado da pátria e a eterna chama de Portugal, Pessoa
retrata o rei como alguém eleito por Deus, e também como um grande homem e
guerreiro que fez de tudo para salvar o país.
Existem
três momentos neste poema 1º momento há uma interligação entre Deus e o sujeito
pois o destino é traçado por Deus, no 2º
momento Fernando pessoa elogia o seu patriotismo, onde refere que ele foi um
grande homem e guerreiro que fez de tudo para salvar o país, e o 3º momento há
uma imortalização do Rei, a antítese “eterna chama”/”sombra eterna” pretende
dar a ideia que D.João I nunca será esquecido e estará sempre vivo em todos os
portugueses (eterna chama). No entanto, fisicamente, ele já não está entre nós,
está morto (sombra eterna)
2º poema D.Filipa de Lencastre também faz parte do
Brasão
D. Filipa de Lencastre além do
papel que desempenhou ao estreitar relações com a Inglaterra exerceu alguma influência
a D.João I na conquista de Ceuta . Verificamos assim o quanto foi importante
para a História de Portugal e sobretudo como Mãe , que criou uma geração de
grande talentos, foi graças á educação que deu que levou aquela geração levar o
nosso país a um período áureo ( os descobrimentos marítimos), tanto a nível económico
como a nível cientifico e histórico. Portugal será sempre lembrado por estes
grandes feitos.
Neste poema há uma referencia a
arcanjo ( braço direito de Deus) por parte do poeta, veio afirmar a vontade de
Deus, para os futuros efeitos gloriosos dos portugueses nas descobertas marítimas.
A referência “princesa do Santo
Graal” deve ser interpretada como “princesa mística” porque esta foi
predestinada por Deus para ser mãe dos príncipes da geração. Graal refere-se á
taça onde Cristo bebera na última ceia.
O nome dado por Fernando Pessoa a D.Filipa
de Lencastre “Madrinha de Portugal” é devido á educação que esta deu aos seus
filhos e que os permitiu ser tão distintos e gloriosos.
Afonso Limão Nº 2
Síntese da apresentação oral (O Quinto Império,O Desejado e As Ilhas Afortunadas)
Os poema
que eu apresentei foram os seguintes: O Quinto Império,O Desejado e As Ilhas
Afortunadas. Todos eles, pertencem à terceira parte da Mensagem, O Encoberto.
Eu associo O Encoberto ao povo português pois Portugal parecer estar envolto de
trevas e o povo está triste. Tristeza essa que relaciono com o desaparecimento,
ou mesmo a morte de D.Sebastião e outras mortes resultantes dos descobrimentos.
Porém,
acreditva-se na formação de um império por parte do povo português. Os
portugueses tinham um destino superior (no sentido de divino), que já tinha
sido provado pelos descobrimentos.
Trata-se do
quinto império, um império universal onde a paz permanecerá infinitamente. É um
império semelhante à idade de Ouro em Ovídio
e à ilha dos amores n’Os Lusíadas. Todos possuiem a ideia de
perfeição. Mas a diferença é que o quinto império é algo desejado (o que o
torna mais grandioso) e que não tem fim, ou seja, manter-se-há infinitamente.
Tal como acontece com a ilha dos amores, este império é uma forma de glorificar
os portugueses.
O QUINTO IMPÉRIO
Estrofe 1:
No inicío,
temos presente uma antítese importante -
triste e contente. Associa-se a ideia de felicidade a comodidade, ou
seja, quem vive bem e sem problemas é feliz. Mas por outro lado, diz-se, que
esta ideia é uma tristeza, pois impossibilita as pessoas de irem mais além, terem
sonhos e tentarem alcansá-los. Faz-se então uma comparação, no qual se diz que,
até a “mais rubra brasa”, isto é, até aquela chama mais viva abandonará a
lareira.
Estrofe 2:
Temos
novamente a ideia de que quem é feliz, na verdade é um tristeza, pois não tem
sonhos nem ambições. “Vive porque a vida dura”, vive apenas porque vai vivendo.
A alma, a única coisa que lhe diz é que irá acabar por morrer e esta é a lição
de raiz, pois a partir do momento em que nascemos, sabemos que acabaremos por
morrer.
Estofe 3:
Temos a
ideia de que o tempo vai passando e o homem sendo um ser sem sem um objectivo
maior, então ser homem, é sinónimo de infelicidade.
Por outro
lado, temos um ponto de viragem no poema quando se diz “Que as forças cegas se
domem”. É preciso acabar com a ideia de que somo meros animais que nascem e
morrem e adaptarmo-nos à ideia de um objectivo superior, que neste caso será o
quinto império.
Estrofe 4:
Após os
quatro império anteriores, a Terra será o local onde se formará o quinto
império e esta formação terá inicío numa “erma noite”, isto é, um noite
solitária, pois cada um vivia a sua vida comodamente sem um objectivo maior e
passará a um “dia claro” quando o povo português se unir, para formar o quinto
império.
Estrofe 5:
São
referidos os quatro impérios anteriores ao quinto. Como sabemos, a idade
corresponde ao números de anos que vivemos e esses anos vão passando. O mesmo
acontece com esses quatro impérios, eles vão passando, ou seja, são
ultrapassados.
Finalmente
temos uma pergunta que acho bastante importante. À primeira leitura, podemos
entender que é necessário esquecer D.Sebastião para formar o quinto império.
Mas, a meu ver, não é apenas isso. Eu acredito que é necessário aceitar a morte
de D.Sebastião para formar o império pelo qual, D.Sebastião lutou.
Gostaria de
relembrar um poema, D.Sebastião, O Rei de Portugal, da primeira parte da
mensagem. Neste poema, é referido, a loucura dele. Há um verso que achei interessante,
“Minha loucura, outros que me a tomem”. E, de facto, os portugueses precisavam
desta tal loucura para conseguirem abandonar a ideia de felicidade, que referi
anteriormente e poderem formar o quinto império.
O DESEJADO
O encoberto
e o desejado, para mim, referem-se a coisas semelhantes. Eu acho que ambos se
referem ao povo português, mas o primeiro refere-se a um povo triste, sem
sonhos e o segundo a um povo unido, com objectivos, capaz de formar o quinto
império.
Ao ler,
entendemos que este poema, destina-se a Galaaz, personagem da lenda do Rei
Artur e é uma pessoa pura e determinada. Este também pode ser visto com uma
comparação a D.Sebastião. Mas na minha opinião é o povo português que é o
dejado para criar o desejado, o império português. O Desejado pode ser visto
como sendo o povo português ou o quinto império.
Estrofe 1:
Pede-se
para sair das trevas, sonhar e acreditar num objectivo maior, isto é, erguer
para o novo fado, o novo destino, a criação do quinto império.
Estrofe 2:
Aqui refere-se
Galaaz mas a meu ver apela-se ao coração, à determinação e ao patriotismo do
povo português que conseguirá superar a prova, a criação do quinto império,
“erquer a alma penitente”, alma
castigada pelo desaparecimento ou mesmo morte de D.Sebastião, “À Eucaristia
Nova”, trazar a Portugal a nova religião, a religião do quinto império.
Estrofe 3:
Refere-se
aqui a paz, pois é uma característica importante do quinto império e diz-se
para erguer a espada sagrada, em representação do fim do mundo como o
conhecemos, unindo o mundo dividido e revelando o santo graal, que neste caso
representa a união, a paz e a felicidade para todos os povos e isto seria a
formação do quinto império.
AS ILHAS AFORTUNADAS
As ilhas
afortunadas são uma lenda medieval. O nome é associado a ilhas maravilhosas que
teriam existência real e chegavam a estar indicados nos mapas, ou então eram
ilhas que os marinheiros viam, mas nunca eram alcançados. Isto, provavelmente
resultava de fenómenos metereológicos, que provocavam miragens.
Neste
poema, refere-se uma voz que ouvimos enquanto dormimos. Dá esperança e diz que
o Rei mora nas ilhas afortunadas à espera de um dia para voltar numa hora de
necessidade, que neste caso seria a formação do quinto império. O Rei pode ser
visto como o Rei Artur, da tal lenda, ou D.Sebastião.
Contudo, no
fim do poema é nos dito que, quando acordamos ou despertamos a voz cala-se.
Daqui eu conluí que este poema referia-se, a um ideia, um sonho, um pensamento,
uma esperança presente no povo português que é preciso esquecer de forma a
unirem-se e formarem o quinto império, pois não podem estar à espera que o rei
volte e faça isso por eles.
Mark Alexandre Vaz nº17 12ºD
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Apresentação Oral - "Mensagem"
D. Sebastião
|
Qual a Sorte
a não dá.
Não coube em
mim minha certeza;
Por isso
onde o areal está
Ficou meu
ser que houve, não o que há.
Minha
loucura, outros que me a tomem
Com o que
nela ia.
Sem a
loucura que é o homem
Mais que a
besta sadia,
Cadáver
adiado que procria?
Trata-se de um poema da primeira parte – o Brasão.
Nesta primeira parte da obra aborda-se
a origem, e a fundação de Portugal enquanto império.
O título D. Sebastião remete-nos
para um momento importante da nação assumindo D. Sebastião um papel importante
na tomada de decisão de avançar para a conquista de África.
O poema poderá dividir-se em duas partes: a primeira
correspondendo à primeira estrofe e a segunda parte à segunda estrofe.
Na
primeira o sujeito poético faz uma auto-caracterização como “louco”; na segunda
faz uma apologia da loucura, um elogio, apelando a que outros dêem
continuidade ao seu sonho.
Na primeira estrofe o sujeito lírico encontra a base da
loucura na grandeza (o sonho) que o sujeito lírico
assume com orgulho. Em consequência dessa loucura, o herói encontrou a morte em
Alcácer Quibir.
Apesar disto a loucura tem neste poema uma
conotação positiva, já que se liga ao desejo de grandeza, à capacidade
realizadora, sem a qual o homem não passa de um animal. Veja-se ainda na
primeira estrofe a referência ao ser histórico “ ser que houve”, que ficou na
batalha de Alcácer Quibir, onde encontrou a destruição física, e a distinção
deste com o ser mítico “ não o que há”, que sobreviveu pois é imortal. Este perdura na memória
colectiva como exemplo.
Na segunda parte, o sujeito poético lança um desafio aos
destinatários, fazendo um apelo à loucura e à valorização do sonho. Deve
portanto dar-se asas à loucura como força motora da acção. Trata-se de um apelo
de alcance nacional e universal. Este mesmo elogio será repetido várias vezes
ao longo da obra. O desafio permite aos destinatários considerarem a grandeza do rei suficiente para todos. Sem ideal cai-se no viver materialista. A
interrogação retórica com que termina o poema aponta precisamente para a
loucura como força criativa que poderá ser canalizada para a reconstrução
nacional. Sem o sonho, “a loucura”, o homem não se distingue do animal. É a
través do sonho que o homem é capaz de seguir em frente sem temer a própria
morte. Assim o homem deixará de ser um animal sadio ou reprodutor com a morte
adivinhada.
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Nun'Álvares Pereira
"Que auréola
te cerca?
É a espada
que, volteando,
Faz que o ar
alto perca
Seu azul
negro e brando.
Mas que
espada é que, erguida,
Faz esse
halo no céu?
É Excalibur,
a ungida,
Que o Rei
Artur te deu.
Esperança
consumada,
S. Portugal
em ser,
Ergue a luz
da tua espada
Para a
estrada se ver!"
No poema Fernando Pessoa refere uma auréola. A auréola que cerca Nuno
Álvares Pereira é, ao mesmo tempo, uma auréola de santidade (do guerreiro
tornado monge) e uma auréola de combate (“é a espada (…) volteando”). Quer ele
dizer que a santidade que ele alcançou, foi a custo também dos seus actos de
guerreiro, pois é a sua espada que desenha o círculo por cima da sua
cabeça, destacando-o – santo – do comum dos homens.
Conhecendo-se a origem da auréola que cerca Nuno Álvares Pereira - a
espada - na segunda estrofe, Pessoa fala-nos sobre essa mesma espada. Diz-nos
que a espada “que, erguida / Faz esse halo no céu” não é uma espada qualquer,
não é a espada de um comum cavaleiro,mas “é Excalibur, a ungida”, a espada do
“Rei Artur”.
Pessoa pede a Nuno Alves Pereira, nos dois últimos versos, que
erga a luz da sua espada “para a estrada se ver”, para sabermos que caminho
seguir no futuro.
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Bernardo Santos, Nº6, 12ºD
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Apresentção Oral
Os dois poemas que vou apresentar: “O Infante” e
“Horizonte”, fazem parte da segunda parte da obra - “Mar Português”- , ou seja
à época de realização dos portugueses, que vem depois do nascimento. É como se
a realização da vida dos portugueses tivesse sido feita através do mar.
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinhamn coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
‘Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longinqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha:
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, ha aves, fiores,
Onde era so, de longe a abstrata linha
O sonho é ver as formas invisiveis
Da distáncia imprecisa, e, com sensiveis
Movimentos da esp'rança e da vorntade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave. a fonte-- Os beijos merecidos da Verdade .
O primeiro poema “O Infante” é constituido por três estrofes, de 4
versos cada (quadras). Têm rimas cruzadas segundo o esquema: abab, cdcd, efef
Segunda parte: Mar
Português
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi
de ilha em continente,
Clareou, correndo. até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Clareou, correndo. até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou
criou-te português..
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Este
poema está escrito como se fosse dirigido ao Infante, que é o Infante D.
Henrique. Podemos ver isso através do tratamento na segunda pessoa, no último
verso da primeira estrofe “Sagrou-te,
e foste desvendando a espuma,” e nos dois primeiros versos da última
estrofe:” Quem te sagrou
criou-te português” e “Do mar e nós em ti nos deu sinal.” Fernando Pessoa joga
com o verbo sagrar; “sagrou” e “sagrou-te”,
lembra-nos que D.Henrique foi Infante de Sagres e o nome da Vila de
Sagres tem origem na palavra sagrado,
pois os romanos chamaram aquela ponta mais a sul de Portugal “promontorium
sacrum”, ou seja promontorio sagrado.
Neste poema Fernando Pessoa começa por afirmar que “Deus
quer, o homem sonha e a obra nasce”, portanto as obras, (que neste caso são os
descobrimentos), nascem porque os homens sonham, e os homens sonham por vontade
de Deus. Depois diz que Deus quis que a terra fosse apenas uma, ligada por mar,
daí a importância de descobrir os caminhos marítimos para que o mar não fosse
um elemento de separação, mas sim um elemento de união. No último verso,
dirige-se ao Infante dizendo-lhe que ele foi sagrado infante e responsável por
desvendar a espuma ou seja por descobrir os mistérios do mar
Na segunda estrofe, O autor continua a falar da espuma e
da orla branca, a espuma branca das ondas que as naus provocam é uma metáfora
que significa avançar e descobrir. Depois, tornou-se claro, á medida que as
naus foram avançando e que se conheceu o mundo inteiro, que a Terra era
redonda, desfez-se o mistério.
Na última estrofe o autor volta a dirigir-se ao Infante e
a invocar Deus. Diz que Deus criou o Infante Português e através dele nos fez
conhecer o mar. No terceiro verso o autor afirma que os descobrimentos foram um
êxito, mas que depois o Imperio se desfez, e no último verso, faz um apelo a
Deus para que se cumpra Portugal, ou seja Fernando pessoa utiliza este poema,
aparentemente dirigido ao infante, para chamar à atenção que naquele tempo Deus
quis que os Portugueses tivessem o sonho dos descobrimentos e essa obra foi
feita. Depois o imperio foi desfeito e atualmente (no tempo em que o poema foi
escrito) é necessário que Deus faça os portugueses voltar a sonhar para
construírem Portugal. Aqui notamos mais um ponto em comum com os Lusíadas que
ao mesmo tempo que narrava os feitos, fazia as suas críticas.
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O Poema Horizonte e constituido por três estrofes,
cada uma com seis versos com uma rima do tipo aabccb, ddeffe, gghiih.
Il. HORIZONTE
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinhamn coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
‘Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longinqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha:
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, ha aves, fiores,
Onde era so, de longe a abstrata linha
O sonho é ver as formas invisiveis
Da distáncia imprecisa, e, com sensiveis
Movimentos da esp'rança e da vorntade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave. a fonte-- Os beijos merecidos da Verdade .
O título do poema “Horizonte”, lembra a linha que separa
o que está perto de nós, o que conhecemos, do que está longe, para além da
nossa visão e por vezes nos assusta porque é desconhecido.
O poema começa com o autor a dirigir-se ao Mar anterior a
nós. “Ó mar” é uma apóstrofe, o autor dirige-se a um mar antes de nós, ou seja
a um mar que nós não conhecíamos, um mar do passado. Esse mar tinha coral,
praia e arvoredos, isto é conheceram-se outros mares, outras ilhas e
continentes. Depois, uma vez passadas a noite as tormentas e a cerração, ou
seja a escuridão, as tempestades e o nevoeiro que simbolizam o medo e o
desconhecido, desfaz-se o mistério, “abre-se o Longe”, ou seja abre-se o
horizonte e o que era longe fica perto e assim se atinge a luz, isto é o
conhecimento e a descoberta. “As naus da iniciação” representam os rituais de
iniciação que são rituais de passagem para um novo ciclo na vida com novas
descobertas e conhecimentos. Estes 6 versos parecem estar divididos em 3+1+2. No início 3 versos escuros que representam o desconhecido, utilizando as
palavras “medos, noite, cerração”, depois 1 verso, que parece funcionar como
uma cortina que se abre “as tormentas passadas” e a seguir 2 versos claros com
as palavras “abrir em flor, sul sidério e splendia” que representam a
descoberta.
Na segunda estrofe em vez de termos um jogo de escuro e
claro temos um jogo de longe e perto, com o ritmo, LPLPPL. Em que nos vamos
sempre aproximando da costa, mas com esta alternância que parece uma ondulação
entre mais perto e mais afastado.
No primeiro verso, fala-se da linha de costa que está
ainda longe, no segundo verso a nau aproxima-se e vê-se a encosta cheia de
árvores, e no 3º verso recorda-se que ao longe nada se conseguia ver. No quarto
verso está-se ainda mais perto a então vê-se a terra com os seus sons e as suas
cores, no 5º verso a costa é atingida, desembarca-se, veem-se as flores que
antes eram apenas cores e as aves que antes eram apenas sons, finalmente no 6º
verso, conclui-se que o local onde agora se está, dantes era apenas a linha do
horizonte. Do ponto de vista simbólico atingimos um novo grau de conhecimento.
A última estrofe dá-nos uma definição de sonho como sendo
“a possibilidade de ver as formas invisíveis da distância imprecisa”, o que
acontece quando nós tentamos ver o que está muito longe, e imaginamos mais do
que conseguimos ver, dando-nos vontade de ir descobrir o que é, de ir mais
além, de ver mais longe. Depois o autor acrescenta, “e com sensíveis movimentos
de esperança e de vontade, buscar (na linha fria do horizonte, ou seja no ainda
desconhecido) a arvore, a praia, a flor, a ave a fonte, (que são agora belezas
ao alcance dos nossos sentidos, são as novas descobertas) ”os beijos merecidos
da verdade”, que representam o amor pela descoberta e pelo conhecimento.
Se quisermos fazer uma comparação com os Lusíadas, esta
estrofe que vem a seguir à estrofe do desembarque, e que define o sonho como
fonte do desejo de alcançar novas verdades, aparece como se fosse a ilha dos
amores, que surge como recompensa do esforço dos navegadores. Aqui, a nomeação
da árvore, da praia, da flor, da ave e da fonte, assemelha-se a um paraíso onde
encontramos os “beijos merecidos da verdade”. Aqui, as ninfas da Ilha dos
amores são as novas descobertas, isto é, a verdade.
O Padrão; O Mostrengo
O Padrão:
Na altura dos
descobrimentos, para marcar as terras recentemente descobertas era usada uma
cruz de madeira. D.João II ordenou que essas cruzes fossem feitas de pedra com
o pressuposto de durarem mais tempo. A cruz de madeira transformou-se num pilar
de pedra onde no seu topo estava gravado o brasão de armas Portuguesas.
O poema está
inserido na segunda parte da obra A
Mensagem, mar português, onde a obra se debruça sobre a época das grandes
navegações.
Este é relatado
por Diogo Cão, navegador português da época, que foi enviado por D.João II, por
duas viagens, para descobrir o sudoeste da costa africana. O primeiro lugar a
que chegou foi a foz do rio Zaire (entre o Congo e Angola) mas a sua viagem
continuou por rio a dentro.
Ao longo do poema
vamos tirando várias interpretações dos versos começamos por ' O esforço é
grande e o homem é pequeno' , ou seja, perante a imensidão do mundo os meios
disponíveis eram escassos, tanto como materiais como imateriais, 'A alma é
divina e a obra é imperfeita', ou seja, apesar da dedicação total dos
portugueses era impossível concluir a sua missão, descobrir tudo que estava
para além do horizonte, 'Que o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim
é portuguez', ou seja, remete-nos para a ideia de que o mar com fim é o Mediterrânico
e quem o cruzou pela primeira vez foram os gregos e romanos e o mar sem fim é o
Oceano e quem o cruzou pela primeira vez foram os portugueses.
Para além destas
ideias, é nos referenciado o acto do descobrimento e que Diogo Cão acha que
cumpriu com a sua parte no que toca aos descobrimentos perante Deus e os homens
e que está missão apenas será concluída no dia de sua morte pois, por mais
longe que vá, haverá sempre um porto por descobrir.
O Mostrengo
Na minha opinião, neste poema é nos apresentado dois pontos fundamentais para a sua análise. Em primeiro lugar, o poema remete-nos para a ideia das provações que os navegadores portugueses tiveram de passar, pois o que é certo é que a natureza, no caso mais específico, o mar, é algo de desconhecido e inesperado, ou seja, nós nunca sabemos o que podemos esperar dele e por isso não conseguimos nos precaver. Em segundo lugar, o poema remonta para a lenda do Adamastor, que nos é apresentada também nos Os Lusíadas, e com isso mostra a bravura dos navegadores portugueses por não se deixarem ir a baixo. Podemos fazer uma comparação do Mostrengo com o medo do desconhecido, no sentido de demonstrar a pressão psicológica que os navegadores estavam sobre. É nos demonstrado também o sentido de patriotismo e de subordinação ao rei, ou seja, um ser respeitado e reconhecido por todos os navegadores portugueses.
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