terça-feira, 5 de março de 2013

Apresentação oral: Há metafísica bastante em não pensar em nada

            Eu apresentei o poema Há metafísica bastante em não pensar em nada  de Alberto Caiero, mas antes disso falei um pouco sobre este heterónimo.
            Ele é considerado o mestre dos heterónimos pelo próprio ortónimo, Fernando Pessoa. Isto acontece pois, devido à sua forma encarar o mundo, ele consegue viver sem dor e não envelhece em angústia, dado que não procura encontrar o sentido para a vida.
            Alberto Caeiro é extremamente objectivo, por isso vê as coisas como elas são, eliminando todos os vestigíos de subjectividade, daí que ele escreva de forma simples, concreta e directa, mas que, ainda assim, é complexa do ponto de vista reflexivo.
 
1ª Estrofe
            “Não pensar em nada”? O que é? Podemos comparar com as frases: “fui à loja e não comprei nada” ou “tu não jogas nada”. Segundo essa lógica “não pensar em nada” é o mesmo que não pensar. Porém, a meu ver, comprar e jogar não está no mesmo domínio que pensar daí que “pensar em nada” seja não pensar e por conseguinte “não pensar em nada” é pensar em alguma coisa, é pensar nas coisas e na sua essência. Por outro lado temos a metafísica, que é o domínio da filosofia que se ocupa com as questões do ser e do existir. Então pensar nas coisas é pensar na sua metafísica, o que para o poeta não faz sentido e é isso que vamos entender ao longo do poema.
 
2ª Estrofe
            O poeta não dá importância à metafísica, por isso não pensa neste tipo de questões. Mas depois diz que, “se eu adoecesse, pensaria nisso”. Ora a explicação que eu encontrei para isto foi a seguinte: Nós quando estamos doentes não estamos bem, nós estamos em nós, não somos os mesmos. Resumindo estar doente não é normal. Logo só numa situação destas é que o poeta, iria de certa forma contra os seus princípios e pensaria neste tipo de questões, que não é uma coisa normal. Só numa situação anormal é que ele pensaria, pois pensar também é anormal.
           
3ª Estrofe
            Nesta estrofe começa-se por fazer algumas questões no âmbito da metafísica, mas depois diz-se que, pensar nessas coisas não é penar, “… é fechar os olhos…”. Alberto Caeiro dava grande importância aos sentido, especilamente o da visão, pois para ele as coisas são aquilo que são, são aquilo que vemos.
            “É correr as cortinas / da minha janela (mas ela não tem cortinas)”. Ora se uma janela não tem cortinas é porque já se consegue ver o que é suposto ver dessa tal janela logo correr cortinas de uma janela que não as tem, é fazer nada e pensar em questões da metafísica é fazer nada.
 
4ª Estrofe
            Para o poeta, as coisas não têm mistério, o mistério está no facto de as pessoas pensarem nisso, isto porque, para ele não faz sentido que as pessoas pensem no mistério das coisas, pois aos seus olhos não há.
            Depois dá-se o exemplo de que quem está ao sol e fecha os olhos, pode pensar muitas coisas em relação ao sol, mas quando volta a abrir os olhos esses pensamentos deixam de ter valor pois o sol continua igual, no mesmo sítio, a transmitir luz.
 
5ª Estrofe
            Esta é uma estrofe que achei bastante engraçada. Começa por falar-nos da metafísica das árvores, o que, tal como é dito não nos faz pensar muito, elas são verdes, copadas, têm ramos, dão fruto pouco mais.
            Depois faz-se um pergunta que é o motivo pelo qual gostei desta estrofe, “Mas que melhor metafísica que a delas, / Que é a de não saber para que vivem / Nem saber que o não sabem?”. Na minha opinião, é um pergunta retórica ou pelo menos não exige uma resposta, mas tem como objectivo fazer-nos pensar e o que eu intepreto dela é o seguinte: Sorte a das árvores que têm uma metafísica baseada em não para que vivem e ao mesmo tempo não saberem disso, ou seja, o poeta valoriza o facto de as árvores não pensarem na metafísica, pois ele também preferia viver num mundo sem ouvir falar desse tipo de questões. Podemos comparar as árvores com Alberto Caeiro, pois elas não pensam e ele também não, embora ele tenha a capacidade de conceber o acto de pensamento.
 
6ª Estrofe
            Voltão a ser apresentadas algumas questões no âmbito da metafísica e são classificadas como falsas, bem como toda a metafísica, pois essas coisas não existem de acordo com o que é dito no poema. Para o poeta é mesmo incrível que haja pessoas que pensem nessas coisas.
 
7ª Estrofe
            Pensar em questões da metafísica é fazer algo mais daquilo que há para fazer, é algo desnecessário e que não tem razão de ser e isto é explicado na estrofe seguinte.
 
8ª Estrofe
            Não há motivos para pensar no sentido íntimo das coisas pois elas não têm sentido íntimo. Não há razão para pensar em questões metafísicas, na constituição íntima das coisas, no sentido íntimo das coisas, no mistério das coisas pois elas não existem. As coisas são objectivas, são aquilo que vemos.
 
9ª Estrofe
            É feito uma crítica à relegião monoteísta, que é estremamente simples, mas que ao mesmo tempo, faz todo sentido. Eu pelo menos concordo, pois se de facto houvesse um Deus, um ser tão perfeito, de certeza que eles nos daria algum sinal que nos permitisses ter a certeza de que existe.
 
10ª Estrofe
            Quem acredita em Deus, na relegião ou pensa no tipo de coisas que se tem tratado ao longo deste poema, como as diversas questões da metafísica, provavelmente acha rídiculo o que o poeta disse na estrofe anterior, mas ele também diz que essas pessoas não sabem olhar para as coisas como elas são, simples e objectivas.
 
11ª Estrofe
            Nesta estrofe é possível identificar uma característica de Alberto Caeira mencionada, por exemplo, nas Notas para a recordadação do meu mestre Caeiro:
            “O meu mestre Caeiro não era um pagão: era o paganismo. O Ricardo Reis é um pagão, o António Mora é um pagão, eu sou um pagão; o próprio Fernando Pessoa seria um pagão, se não fosse um novelo embrulhado para o lado de dentro. Mas o Ricardo Reis é um pagão por carácter, o António Mora é um pagão por inteligência, eu sou um pagão por revolta, isto é, por temperamento. Em Caeiro não havia explicação para o paganismo; havia consubstanciação.” Ele tinha uma relação íntima com o paganismo.
            Para começar a explicar, paganismo é designação dada pelos cristão à religião politeísta, isto é, que acredita em vários deuses. É possível identificar essa característica nesta estrofe pois uma das características do paganismo é a radical imanência divina, ou seja a divindade está sempre prensente, até na própria natureza.
 
12ª Estrofe
            Então mas se Deus é as árvores, as flores e todas essas coisas não há necessidade de lhe chamar Deus.
 
13ª Estrofe
            E finalmente vem esta última estrofe a dizer que devemos viver naturalmente sem pensar em Deus pois ele é tudo o que está à nossa volta.
 
            Agora em jeito de conclusão e de certa forma para resumir este poema…
            Começa-se por dizer que não devemos pensar em questões da metafísica, pois as coisas são aquilo que são, são simples e objectivo, são aquilo que vemos e a coisa fica mais ou menos por aí.
            Depois entra-se no domínio da relegião, em que se começa por criticar, dezendo que não se acredita em Deus, mas no final, sendo Alberto Caeiro o pagão que é, então o sujeito poético chega à conclusão de que Deus está em tudo à nossa volta, mas isto sempre de forma objectiva, pois está naquilo que vemos e não há necessidade de pensar mais no assunto.
 
Mark Vaz nº17 12ºD

domingo, 20 de janeiro de 2013


De acordo com esta imagem de hopper, e das suas outras obras nós podemos retirar uma certa ideia de solidão, ele ficou conhecido pelas suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade.
É difícil definir a solidão. A solidão é presença inerente à condição de ser homem, assim como o sangue, o esqueleto e os músculos. Quantas vezes, rodeado de gente, o coração bate sozinho. E quantas outras, no silêncio absoluto, num isolamento integral, o mundo se desdobra aos nossos pés.
A solidão não se limita a uma pessoa viver sozinha sem ninguém com quem falar, a solidão existe também por vezes mesmo que se esteja acompanhado na vida, pois como mostra esta imagem de hopper temos duas pessoas que apesar de estarem juntas estão sós não comunicam, cada um entregue aos seus pensamentos e interesses.
Para o filósofo alemão Martin Heidegger, a solidão é o estado inato do Homem, cada ser está por si só no mundo. Assim, cada indivíduo nasce sozinho, morre na mesma condição e vive as suas experiências pessoais também desta forma, por mais que esteja sempre cercado de outras pessoas, pois ninguém pode vivenciar a sua aprendizagem, cabe a cada um enfrentar o seu próprio caminho.






Afonso Limão Nº2

 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quadro de Hopper


O tempo passa. Cada segundo pesa-me nas costas, criando cicatrizes que nunca acabam por sarar. Onde estou perguntam-me. Nem eu sei. Estou algures entre o passado e o presente, mas ansiando o futuro. Sentado num café e ao mesmo tempo perdido num deserto. Vagueio pelo deserto à procura de respostas, mas não sei nada. E cada vez sei menos.
Quem sou eu? Uma simples ideia de realidade? Se assim for não passo disso, uma aparência. O que é a vida? Estou mesmo a viver, ou estarei a sonhar? Se não passar dum sonho eu quero acordar, ver o que existe além do que conheço. Se for a realidade quero aprender, melhorar quem sou. Eu posso estar vivo, mas será que vivo? Será o importante as memórias que vou tirando da minha vivência, ou será o percurso monótono do dia-a-dia? Rezo para que o importante seja as recordações. Rezo… Em que devo acreditar eu? Em Deus, na Ciência, em mim ou nos outros? Serei eu ingénuo por acreditar na ideia de todos eles? Ou serei melhor por ter fé? Não sei, e são estas questões que me dão dores de cabeça, pois não têm solução.
O que sou no Mundo, no Universo? Um ponto ínfimo com grandes aspirações, mas apesar de tudo não serei mais que uma nulidade. Às vezes penso no que sucederia se morresse… Será que renascia, ou será que receberia o conhecimento que procuro? Se calhar o propósito da vida é o de um dia morrer, apodrecer no chão e desaparecer por fim da humanidade, não deixando nada para trás, pois até as melhores memórias desaparecem com o tempo.
O tempo… E de repente estou de volta ao ponto de partida. O que me pareceram horas foram breves minutos sentado num café. Nada mudou.
A rapariga olha para o piano, as pessoas permanecem sentadas. E eu? Continuo na mesma página do jornal. Já lhe passei os olhos tanta vez e ainda não li nada. Encontrei-me com a saída do deserto mas continuo perdido.
E o tempo? O tempo passa.

Memória Despertada

    Sento-me a ler o jornal. A primeira página traz a manchete de uma notícia qualquer sobre a queda das acções na bolsa, acompanhada em baixo por uma fotografia de um homem com as mãos levadas à cabeça, olhando desesperado para um ecrã pintado de uma mixórdia indecifrável de números e letras. Com certeza preocupante, não é, no entanto, esta notícia que me prende a atenção. A Kate, sentada ao piano com o antebraço posto na parte lateral do instrumento e os dedos a dançar sobre o teclado, tenta compor. Vai martelando as teclas e anotando na pauta as notas musicais. Com os olhos a correr as palavras e, no entanto, sem ler absolutamente nada, fico a ouvi-la. É um som familiar e simultaneamente perturbador, feito de notas sozinhas envolvidas pelo silêncio; é uma toada aguda que atinge as profundezas da minha alma e se traduz no despertar de uma lembrança adormecida das minhas origens. É uma música profunda que me arranca pela raiz e me traz uma sólida memória da minha irmã, da minha irmãzinha, que ficou lá para trás no tempo, morta. Era ainda muito menina e já tocava piano lindamente. Oiço agora este piano e solicita-me a recôndita recordação da música que tocava no seu quarto, em aprendizagem monótona, e de mim, também criança, no quarto ao lado, a escutá-la. Este som dentro da minha cabeça, tão presente e doce, não chega a ser verdadeiramente a música que a minha irmã tocava, por vezes, ao final da tarde; é antes uma absoluta e irremediável saudade.
    Oiço, atrás de mim, a chuva contra os vidros. Levanto-me, chego-me junto à janela e olho através dela. Lá fora, a cidade mexe-se em plena consternação. Não a vejo, apenas olho na sua direcção. O prédio em frente do outro lado da rua, automóveis parados antes do semáforo e outros a passar com pressa, uma buzinadela a rasgar o silêncio, a luminosidade artificial das placas publicitárias dos cafés e das lojas ao nível do chão, as pessoas com os seus guarda-chuvas coloridos caminhando nos passeios como formigas nos seus carreiros: tudo isto se movimenta sob um pesado manto de chuva. Todas as coisas existem diante dos meus olhos, mas eu não as sinto a existir. Vejo no conjunto destes elementos, não o seu desenho, não os seus contornos, mas o seu leve sorriso a abrir-se-lhe nos lábios, projectado na paisagem. E sou invadido por uma profunda tristeza.

A Distância


Na década de 50, a vida familiar estava bem delineada ao contrario de hoje, que as mulheres podem desempenhar o mesmo papel que os homens. O homem trabalhava, enquanto a mulher ficava a tomar conta da casa e dos filhos. Os casamentos entre pessoas pertencentes a classes altas nem sempre tinham os mesmos intuitos. A maior parte era por dinheiro e por respeito. Na altura era bastante casual não haver amor entre os conjugues, o que levava a uma certa distância entre estes.
A relação era sempre formal, interagindo da mesma forma com se tratasse de um negócio, cada um cumprindo a sua parte do “acordo” (casamento). Entre estes, em regra existia um certo respeito para com o companheiro, para preservar a boa imagem do casal, que nesta época, a imagem, era uma das coisas mais importantes. A imagem representava o respeito da sociedade ao casal e a importância dada ao nome.
A vida de um casal que se juntou por questões exteriores ao amor (dinheiro e respeito), era apenas uma vida disfarçada. Estas questões levavam ao surgimento de barreiras, que por sua vez resultava na distância entre os conjugues.

Jorge Favinha

Ida ao Cinema


Numa noite de inverno, chovia como nunca tinha chovido antes. Alberto e Joaquina, casados  10 anos, tinham nesse dia feito o que costumam fazer, Joaquina arrumou a casa de cima a baixo, pois seu marido é alérgico ao pó e ácaros enquanto o Alberto trabalhava na sua loja de haute couture, onde é alfaiate. 
No dia anterior Joaquina dissera a seu marido que queria ir ao cinema no dia a seguir, ao que o seu marido respondeu:
- Com certeza, e tens algum filme em mente?
- Sim, o filme de Albert Hichcock, “Um corpo que cai” disse Joaquina.
- Então está combinado minha joaninha amanhã à noite iremos ao cinema.
Mas o que Joaquina não esperava era que chovesse tanto e por isso nessa noite em vez de irem ao cinema o Alberto ficou a ler o seu jornal emquanto sua munher tocava algumas teclas do piano, triste por não puder ir ver o filme que tanto desejara ver.
No dia seguinte era fim de semana. Alberto, sabendo que a sua mulher ficara triste por não ter ido ao cinema, resolve convidá-la para jantar fora e no final da noite Alberto surpreende a sua mulher levando-a a ver o filme que ela tanto ansiava ver. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Quadro de hopper


Mais uma tarde passada em casa, à procura de um sentido na vida. Marido e mulher, apenas no papel, pois na realidade o vazio que os absorve é imenso e a cumplicidade normal entre duas pessoas que assumiram o compromisso de ficarem juntas. Não existe paixão, amor, romance etc… apenas solidão e um vazio. O marido encontra-se a ler o jornal, provavelmente como forma de passar o tempo, a pensar como desperdiçou mais um dia da sua vida urbana. A mulher encontra-se numa posição em que está de costas para o marido a tocar piano, provavelmente uma dona de casa que passou mais um dia monótono como é costume no quotidiano urbano. O marido terá vindo do trabalho devido à sua vestimenta. Estavam tão perto, mas ao mesmo tempo tão distantes, o marido e a mulher não comunicam, vivem a vida por viver, como se se tratasse de uma obrigação. Bastante isolados naquilo de que se trata a sua vida, encontram-se mais tristes que nunca, parecem parados no tempo à espera que no próximo dia algo bom aconteça sem fazerem nada por isso. Estão muito perto do divórcio, sem saberem porquê, apenas sabem que se perderam na vida e que neste momento aquilo que sobra deles é o corpo, e não a alma.

Henrique Cardoso

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Conselho - apreciação do poema


Neste poema é nos apresentado duas facetas que o Homem, ao longo da sua vida, tem de lidar.
A primeira faceta tem a ver consigo próprio, ou seja, com aquilo que pensa, que acha e que gosta, sem qualquer tipo de preconceito e de vergonha. Por ser dessa maneira é nos apresentada apenas a nós próprios e a mais ninguém. A outra faceta tem a ver com os outros, ou seja, a maneira como socializamos com as outras pessoas. Nesta fase, nem tudo que o que gostamos, achamos ou sentimos podemos dizer. Esta faceta é necessária para podermos viver em sociedade e mais importante que isso, sermos aceites por esta e para isso temos de nos adaptar a ela e guardar os nossos pensamentos para nós próprios.

História inspirada no quadro de Hopper


A tristeza pairava por aquela casa. Tudo parecia perdido, ninguém tinha esperança que algum dia suas vidas voltassem a brilhar.
Jorge, homem de família, tinha perdido seu emprego há mais de dois anos mas todos os dias vestia-se de acordo com o antigo trabalho, fato e gravata, na esperança de ser chamado a qualquer momento para retomar a sua posição. Sua mulher, Maria, vivia desalmadamente todos os dias. Para esta, a palavra esperança, já não entrava no seu dicionário. Deixou de viver e entregou-se à amargura da vida.
Jorge, já não sabia onde buscar forças para continuar a viver. Nem a sua mulher, já mais, poderia recorrer. Era esse fracasso que via em sua mulher que lhe incomodava. O amor da sua vida que em tempos era o seu pilar, desabou de vez e sem perspectivas de recuperação.
Maria passava os dias a tocar piano como se não houvesse amanhã. Muitos eram aqueles que se vinham queixar, mas isso não intimidava Maria, que continuava a tocar dias sem fim.
As tarefas de casa e todas as responsabilidades conjugais caíram sobre Jorge, não é que este se importa-se pois a verdade é que não tinha mais nada para fazer. Todos os dias tratava das refeições e das lidas da casa.
A vida lá se ia vivendo sem muita esperança mas, o que é certo, é que a atitude tomada por sua mulher piorava toda a situação e provavelmente seria a razão do fracasso daquela família que não tendo feito mal a ninguém pagavam um preço alto pela sua posição perante a vida.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

História inspirada no quadro de Hopper


            É domingo, numa época em que a economia está em completo declíneo. O homem acaba de chegar da rua, onde foi comprar o jornal. Mal nota na sua mulher sentada ao pé do piano, como se tivesse a tocar, isto porque, ele anda demasiado stressado, uma vez que perdeu o emprego e encontra-se desemprego há já três semanas. Concentra-se de tal forma no jornal, que até se inclina para ver melhor. Ele procura uma oportunidade de trabalho, mas nem sabe o pior.

            A mulher, que finge estar a tocar piano, encontra-se sentada de lado, pois na verdade, quer dizer uma coisa ao marido. Ela está grávida mas não sabe como lhe dizer, uma vez que só ele é que trabalhava e agora não têm sustento. Está muito nervosa, o que não é bom para o bebé, mas o marido nem repara nela e ela não tem coragem para dar inicío à conversa. Aquilo que, por norma, seria uma coisa boa, é agora a origem de toda esta ansiedade, deste nervosismo e desconforto perante uma situação que parece não ter solução.

            Mas, passado este curto período de tempo em que ambos lidaram com a sua angústia de forma tão solitária, no entanto, fisicamente tão próximos um do outro, alguém bate á porta e vem mudar tudo…

 Mark Alexandre Vaz nº17 12ºD

 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Resumo apresentaçção

Os poemas que eu apresentei faziam ambos parte da 2ª parte de "A mensagem" de Fernando Pessoa que lhe deu o título de "Mar Português"

O primeiro poema foi o "Epitáfio de Bartolomeu Dias". Este poema representa uma espécie de reconhecimento de mérito a Bartolomeu Dias que foi o primeiro europeu a dobrar o cabo das tormentas. Este poema é bastante importante pois simboliza o momento em que todos deixaram de ter medo do outro lado do cabo, onde se pensava ser o fim do mundo. Existe uma referência a Atlas, que é um titã que carrega o mundo no seu ombro na forma de um globo.

O Segundo poema foi o "Os colombos". Este poema tem um título irónico que evoca a disputa entre Portugal e Espanha em volta da figura do navegador Cristóvão Colombo. O poema não se refere apenas a Cristóvão Colombo, mas a todos os navegadores estrangeiros. Cristóvão Colombo foi o descobridor da América ao serviço dos Reis de Espanha, daí submerge o conflito entre Portugal e Espanha, pois este deveria ter descoberto a América ao serviço de Portugal se D. João II não o tivesse recusado. Este poema não se refere apenas a Cristóvão, mas a todos os navegadores estrangeiros, denominados de colombos, cuja glória é apenas um reflexo dos portugueses. Existe um exagero quanto ao nacionalismo neste poema pois o poeta diz que os navegadores estrangeiros apenas terão aquilo que Portugal não quis.

Henrique Olim Cardoso Nº11 12ºD

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


“O dos Castelos”

 

Este poema, insere-se na obra Mensagem, na primeira parte, que simboliz o nascimento do novo império, que seria espiritual e cultural. O título “O dos Castelos” refere os sete castelos que passaram a defender Portugal a Leste e a Sul após a conquista aos Mouros levada a cabo por Rei D. Afonso Henriques III. Nos Lusíadas os heróis são valorizados pelos seus feitos bélicos, enquanto na Mensagem o tema é a valorização de Portugal como predestinado para uma missão salvífica de restaurar a grandeza Europeia.

Aqui em “O dos Castelos”, Portugal surge como o rosto da Europa, à semelhança dos Lusíadas, quando Vasco da Gama refere Portugal como sendo a cabeça da Europa.

Assim tanto nos Lusíadas como na Mensagem, Portugal é predestinado para grandes feitos. Desta forma, Fernando Pessoa como Luís de Camões partilha uma prespectiva idêntica em relação a Portugal.

 

 

“O das Quinas”

 

 Neste poema, pressente-se também um certo sofrimento patriótico tal como nos Lusíadas no episódio da “ Partida das Naus”, onde se compara glória com desgraça.

Também o Velho Restelo critica aqueles que vão á procura da fama e da glória, e em troca trazem desgraça, o que acaba por ser uma das consequências negativistas da expansão.

Pessoa refere também, que tem de existir moderação na ambição “ Baste a quem baste o quel lhe baste”/ter é tardar”. O facto de referir os deuses “Os deuses vendem quando dão” aponta a vertente espiritual da Mensagem que levará á mitificação. Também nos Lusíadas há referência aos deuses “No consílio de Deuses no Olimpo” e à espiritualidade através do maravilhoso cristão, quando Vasco da Gama agradece aos deuses

 

Concluindo:

·         Em todos os poemas “O dos Castelos”, “O das Quinas” e “OS lusíadas”, existe uma valorização do povo português e do seu espírito.

·         Tanto Fernando Pessoa como Luís de Camões partilham a ideia de que Portugal foi incumbido de uma missão salvífica. Nos Lusíadas Portugal expande a Fé Cristã, na Mensagem Portugal irá dar origem a um império espiritual e cultural – “Quinto Império”

 
Vasco Soares Nº23 12ºD

Episódio de Leonardo. Valor simbólico de “Os Casamentos”
 
Leonardo surge individualizado no episódio “A Ilha dos Amores”, não so para demonstrar como o ambiente em que estava inserido era propício aos jogos de sedução amorosos, como de certo modo, ao relatar a sua vida amorosa que até ao momento não tinha sido afortunada “ser com amores mal afortunados” comparece de certo modo, a vida de Camões que também foi marcada por vários desencontros amorosos. No entanto o narrador, ao destaca-lo, coloca-o de num plano de herói mitificado.
 Quanto cerimónia dos casamento explicitados na estrofe 84, é visível nos mais pequenos pormenores, elementos que contribuem para a festa de casamento, tais como: “as flores os ornam de copelas deleitosas” “as mãos alvas lhe davam como esposas”
Logo esta cerimónia sublima o amor que une as ninfas e os marinheiros, equivalendo á purificadora ascensão do espírito através do corpo. È um casamento que vai transformar os nautas em semi-seuses, conferindo-lhes a imortalidade como recompensa de amor que dedicaram á pátria.
Logo o casamento leva a sublimação do amor e á mitificação do herói colectivo, onde se individualiza alguns, tais como Leonardo.
Vasco Soares Nº23 12ºD

Será que o voto universal pode garantir que vivemos em democracia?


 

A questão é curiosa levando a reflectir sobre o significado da palavra Democracia. Esta significa liberdade, no entanto ela não é garantida a partir de um “voto universal”.

O que resta à Democracia? Morrer? Lutar pelos seus ideais?

Um estado verdadeiramente democrático é regido por leis que conferem aos cidadãos que o habitam, garantias de viverem em plena liberdade social de expressão, logo usufruindo de bens e direitos inerentes a todos os cidadãos. A liberdade deve ser conquistada por qualquer povo, dado que ela leva inevitavelmente à democracia, ao respeito do indivíduo como ser humano e social. Por isso, muitas vezes com a ambição dos governos, esta palavra é adulterada e serve os direitos do poder em detrimento do serviço prestado aos cidadãos. É neste contexto que nem sempre o “voto universal” é uma garantia de democracia, porque embora sejam tomadas medidas consideradas imutáveis, muitas vezes elas são alteradas servindo outros interesses que não a proteção dos cidadãos. Estes, ao votarem, exprimem as suas expectativas, os desejos de mudança que acabam muitas vezes por serem “enganados”, não significando a vivência num verdadeiro estado democrático.

A votação universal leva a uma coesão de valores que na realidade não são respeitados e a vontade colectiva é substituída por uma vontade individual.

 

Vasco Soares Nº23 12ºD

Análise das estrofes 26 a 36 do canto V


Estrofe 26: A tripulação portuguesa desembarca numa praia espaçosa, Vasco da Gama olhou para o sol para ver a sua altura.
Estrofe 27: pela altura do sol Vasco da Gama concluiu que se encontravam entre o trópico de capricórnio e o círculo Polar antártico. Vasco da Gama repara que a sua tripulação está a rodear um nativo de pele preta.
Estrofe 28: Os Portugueses não se entendem em termos linguísticos com o nativo e nem a mostrarem ouro, prata e especiarias o nativo se moveu.
Estrofe 29: Ao mostrarem peças de menor valor como um barrete vermelho (cor contente), o nativo caminhou para a povoação que se encontrava perto do local.
Estrofe 30: No dia seguinte os nativos vieram em busca de mais materiais dos oferecidos pelos portugueses. Os nativos estavam mais comunicativos e menos selvagens, o que levou Fernão Veloso a aventurar se com os nativos pelo mato.
Estrofe 31: Fernão Veloso é descrito como arrogante e confiante, e julgou que ia seguro, mas passado um tempo regressou apressado para o mar a dentro.
Estrofe 32: Um nativo atirou-se a Fernão Veloso que não tinha ninguém que o ajudasse. Vasco da Gama foi em seu auxílio.


Estrofe 33: Os nativos estavam a ferir os Portugueses com golpes de setas e pedradas, pelo que os portugueses ripostaram.
Estrofe 34: Estando Fernão Veloso salvo, os portuguese regressaram ao mar, e pela recepção concluíram que ainda se encontravam longe da India.
Estrofe 35: Um diálogo entre Fernão Veloso e outro marinheiro a gracejar sobre a situação pela qual tinham passado.
 Estrofe 36: Fernão Veloso conta que quando passou o monte os nativos obrigaram os Portugueses a irem embora sob penas de os matarem e roubarem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Timbre – insígnia que coroa o brasão, indicadora da nobreza de quem o usa, remete para a sagração do herói numa missão transcendente;
"O Timbre" é o título do quinto bloco de poemas que constitui a primeira parte da obra e que refere o Infante D. Henrique, D. João II e Afonso de Albuquerque.
Este elemento é o símbolo do poder e da posse legítima. Liga-se também à ideia de segredo. O timbre é, pois, um sinal, uma marca, dada por Deus, que assegura ao ser humano a ascensão a mundos superiores, através do conhecimento. O poder é aquilo que une o ser humano a Deus, porque esse poder é um reflexo da vontade divina.


·         A cabeça do grifo – O Infante D. Henrique
Grifo (cabeça) – A criadora da razão. A sabedoria do Infante D. Henrique – o cérebro.
O grifo é uma ave mitológica com bico e asas de águia e corpo de leão; simboliza a união do humano e do divino.
Infante D. Henrique foi o grande impulsionador dos descobrimentos.
O infante encontra-se sozinho, nesta tarefa (descobrimentos), e é esta solidão que lhe permite idealizar e realizar grandes feitos. Com seu manto de noite e solidão,
 Ele é o senhor do mar e do mundo inteiro, pois foi graças a ele que se descobriram novas terras, ele foi o impulsionador dos descobrimentos, assim sendo ele é “O único imperador que tem, deveras, / O globo mundo em sua mão”.
Pode-se então dizer que é o infante é aquele que toma as decisões, e que sonha, idealiza e tem sabedoria, ou seja, o Infante é a Cabeça do Grifo.

·         A outra asa do grifo – Afonso de Albuquerque
A outra asa simboliza a execução, a acção e a concretização; ou seja o crescimento do império na índia, já que a outra asa do grifo é Afonso de Albuquerque, o primeiro vise Rei da Índia. Graças às suas acções na Índia foi possível estabelecer um bom relacionamento com os indianos e estabelecer negócios com estes. Afonso de Albuquerque era o guardião do nosso império.
A atitude heróica é importante para a aproximação a Deus, mas o herói não pode esquecer que o poder baseado na justiça, na lealdade, na coragem e no respeito é mais valioso do u o poder exercido violentamente pelo conquistador.
As acções devem ser claras, devendo sempre ter em conta o poder espiritual, o poder moral e os valores.   
Grifo (asas) - Concretização do sonho. A capacidade de acção (D. João II e Afonso de Albuquerque).

domingo, 25 de novembro de 2012

A Mensagem, Antemanhã & Nevoeiro - Apresentação Oral

Antemanhã

O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: "Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quer desvendar?

E o som na treva de ele rodar

Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou-se e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar -
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar

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No que conta a uma análise estilística do poema, são possíveis de concluir os seguintes aspectos:

Métrica - 2 Sétimas  Versos Octossilábicos, com excepção do primeiro e quinto verso da primeira estrofe que são decassilábicos.

Esquema Rímico - Rime em esquema "aabaaca"

Número de versos - 14

Notas: Uso abundante de terminações em "ar", uso de metáforas e duplicações sonoras.

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"Antemanhã" é o alvorecer, o tempo em que o dia está a surgir em alvorada. Este poema é o equivalente da Europa, o quarto Império Intelectual. Depois da "Noite", a alma decide em "Tormenta" sair do estado em que se encontra, o que a leva à "Calma" resultante da sua decisão. Agora segue-se o nascer do Novo Dia, numa "Antemanhã" que levará a um futuro ainda desconhecido.

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No que conta a uma análise contextual da primeira estrofe, é possível identificar que:

Fernando pessoa resgata uma figura simbólica para servir de interpelador de quem procura o Encoberto.

Aqui, o mostrengo é diferente de quando no poema "O Mostrengo" (segunda parte, "Mar Português"). É actualmente mais humano, rendendo-se ao simbolismo, parecendo menos vivo, irreal, despido de sentimento e iluminado por uma outra luz. Numa relação a Os Lusíadas, conclui-se que lá, é o Adamastor que se transforma em cabo, sendo que aqui ocorre o contrário, sendo o cabo (realidade) que se transfigura numa essência (irrealidade)

Foi um relâmpago de Deus que iniciou este "novo dia sem acabar". "Um novo dia" significa uma nova era e um novo princípio. Neste momento, o mostrengo fala e avisa, ao contrário das suas acções anteriormente. Aqui, tem uma atitude motivadora, e não assustadora, criando um caminho limpo e mais fácil, não obstáculos ao mesmo.

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer-
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo que encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma te,
Nem o que é o mal nem o que é o bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

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Numa análise estilística do poema, é possível concluir os seguintes aspectos.

Métrica - 1 Sextilha, 1 Sétima e 1 verso isolado. Versos octossilábicos, com excepção do verso isolado que tem apenas 3 sílabas.

Esquema rímico - Rima em esquemas "ababba" e "abbcddd" respectivamente. O verso isolado rima com o quarto verso da sétima.

Número de versos - 14

Notas - Uso de metáforas, uso de negatividade, divisão do poema em duas partes (colectiva e individual, respectivamente), uso de anáforas e antíteses.

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Fernando Pessoa termina A Mensagem com o poema "Nevoeiro", quinto poema dos "Tempos". 

Este poema é aquele que representa o Quinto Império, o Império Espiritual. Aqui, define-se a actualidade portuguesa como decadência, dispersão e névoa (fazendo lembrar a camoniana <austera, apagada e vil tristeza>).

Coerente, como sempre, Pessoa fecha a mensagem seguindo uma vontade inicial na obra. Deixa a sensação de todo, de projecto global, que é dividido em partes, mas sem que essas partes só existam quando ligadas entre si.

"Nevoeiro" é assim um poema velado, triste e imperativo, como o próprio Fernando Pessoa. Aqui, não se assiste a uma invocação linear e comum do passado. É um poema de conclusão, que eleva a tristeza, um sentido de missão, bem como uma ponte para o futuro, para uma hora marcada para o nascer do Novo Sol, a fim de destruir "O Nevoeiro".

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Numa análise contextual da primeira estrofe, é de importante referência:

Numa análise microscópica caracteriza-se o momento do país. Nota-se desespero, face a um país em alma, sem originalidade, que nenhum governante, nenhuma mudança pela força, o poderá regenerar verdadeiramente. Continuará então a ser o "fulgor baço da terra", um "Portugal a entristecer".

Pessoa depara-se com o facto de haver um brilho exterior, ou seja, uma vida existente na parte de fora de todos os indivíduos, ou seja, vê que há quem enriqueça, quem tenha família, quem procrie, e quem morra. Mas toda a vida sem sentido é como "brilho sem luz e sem arder". É mais ainda, é pior, é "como o que o fogo-fátuo que encerra" ou seja, é a aparência do brilho, mas sem luz interior, sem esse mesmo brilho, interiormente. Quem vive assim não vive, sobrevive somente. Apresenta então um brilho que se assemelha aquele que sai dos cemitérios, dos pântanos, um brilho artificial e podre, apagado, próprio dos corpos mortos e decompostos.

Fernando Pessoa intenciona pintar um quadro intemporal que caracterize o português, onde quer que queiramos apontar na barra cronológica assistente à nossa existência. Um povo que se queixa sempre do mesmo, num ciclo vicioso e cansativo, sem fim a vista, seja como for. 

Analisando contextualmente a segunda estrofe, são relevantes os seguintes tópicos:

Depois de ver o "Nevoeiro" como um todo, depara-mo-nos agora com análises particulares.

Portugal é então um país perdido, onde "ninguém sabe que coisa quere", onde "ninguém conhece que alma tem" sem noção nem do que "é o mal nem o que é bem". Portugal assiste uma sociedade amoral, desligada dos mais altos valores, da nacionalidade, do espírito de unidade religiosa, sobretudo da irmandade, havendo no entanto uma esperança ténue que reside no intimo de cada um, encaminhando e florindo um desejo de mudança.

Mas tudo é tão "incerto e derradeiro", "dispersos". "Nada é inteiro" que Fernando Pessoa termina com um desabafo "Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

Numa análise à terceira e última curta estrofe, nota-se que:

Depois de duas estrofes mortas, Fernando Pessoa grita de peito cheio de ar, ao infinito: "É a Hora!" (Resposta à pergunta deixada na segunda estrofe do poema "sem título" em os "Avisos").

Não se deduz se esta hora será humana ou divina, mas será certamente uma hora certa e inevitável.

Com esta frase final, Fernando Pessoa desvanece-se, tal como o "mostrengo servo", deixando a cada um de nós a tarefa de revelar em nós mesmos os mistérios que ele nos tem vindo a anunciar. A mensagem da Mensagem é então procurar no íntimo a razão que ilumina a vida que vale a pena ser vivida, sendo assim uma tradução a um final que se caracteriza e a nós se apresenta como optimista e positiva.

Um "Adeus" sincero como um forte aperto de mão e um fiel e firme abraço.






terça-feira, 20 de novembro de 2012

Poemas D. João I e D. Filipa de Lencastre


A mensagem de Fernando pessoa está dividida em 3 parte, o poema de D.João Primeiro está situado na parte do Brazão. A primeira, Brasão, utiliza os diversos componentes das armas de Portugal para revisitar algumas personagens da história do país. O “Brasão” corresponde à primeira parte e ao plano narrativo da história de Portugal, n’Os Lusíadas, onde encontramos os heróis míticos ou mitificados, desde “Ulisses” a “D.Sebastião, rei de Portugal”. Trata-se de heróis vencedores, nalguns casos, mas falhados na opinião geral, ignorados, ou quase, por Camões.
Fernando Pessoa transmite esta mensagem: a Portugal, nação construtora do Império no passado, cabe construir o Império do futuro, o Quinto Império, Para Fernando Pessoa os quatro primeiros impérios são o primeiro o Império Grego, o segundo o Império Romano, o terceiro o Cristianismo e o quarto a Europa, Fernando Pessoa, na obra Mensagem, anuncia um novo império civilizacional, que, acredita ser o português. E enquanto o Império Português, edificado pelos heróis da Fundação da nacionalidade e dos Descobrimentos é termo, territorial, material, o Quinto Império, anunciado na Mensagem, é um espiritual. “E a nossa grande raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas daquilo que os sonhos são feitos… “A Mensagem contém, pois, um apelo futuro”.


Poema D.joao I:
D.João foi mestre sem saber, defensor do templo sagrado da pátria e a eterna chama de Portugal, Pessoa retrata o rei como alguém eleito por Deus, e também como um grande homem e guerreiro que fez de tudo para salvar o país.

 Existem três momentos neste poema 1º momento há uma interligação entre Deus e o sujeito pois  o destino é traçado por Deus, no 2º momento Fernando pessoa elogia o seu patriotismo, onde refere que ele foi um grande homem e guerreiro que fez de tudo para salvar o país, e o 3º momento há uma imortalização do Rei, a antítese “eterna chama”/”sombra eterna” pretende dar a ideia que D.João I nunca será esquecido e estará sempre vivo em todos os portugueses (eterna chama). No entanto, fisicamente, ele já não está entre nós, está morto (sombra eterna)


2º poema D.Filipa de Lencastre também faz parte do Brasão
D. Filipa de Lencastre além do papel que desempenhou ao estreitar relações com a Inglaterra exerceu alguma influência a D.João I na conquista de Ceuta . Verificamos assim o quanto foi importante para a História de Portugal e sobretudo como Mãe , que criou uma geração de grande talentos, foi graças á educação que deu que levou aquela geração levar o nosso país a um período áureo ( os descobrimentos marítimos), tanto a nível económico como a nível cientifico e histórico. Portugal será sempre lembrado por estes grandes feitos.
Neste poema há uma referencia a arcanjo ( braço direito de Deus) por parte do poeta, veio afirmar a vontade de Deus, para os futuros efeitos gloriosos dos portugueses nas descobertas marítimas.
A referência “princesa do Santo Graal” deve ser interpretada como “princesa mística” porque esta foi predestinada por Deus para ser mãe dos príncipes da geração. Graal refere-se á taça onde Cristo bebera na última ceia.
O nome dado por Fernando Pessoa a D.Filipa de Lencastre “Madrinha de Portugal” é devido á educação que esta deu aos seus filhos e que os permitiu ser tão distintos e gloriosos.



                                                                                  Afonso Limão Nº 2

Síntese da apresentação oral (O Quinto Império,O Desejado e As Ilhas Afortunadas)


            Os poema que eu apresentei foram os seguintes: O Quinto Império,O Desejado e As Ilhas Afortunadas. Todos eles, pertencem à terceira parte da Mensagem, O Encoberto. Eu associo O Encoberto ao povo português pois Portugal parecer estar envolto de trevas e o povo está triste. Tristeza essa que relaciono com o desaparecimento, ou mesmo a morte de D.Sebastião e outras mortes resultantes dos descobrimentos.

            Porém, acreditva-se na formação de um império por parte do povo português. Os portugueses tinham um destino superior (no sentido de divino), que já tinha sido provado pelos descobrimentos.

            Trata-se do quinto império, um império universal onde a paz permanecerá infinitamente. É um império semelhante à idade de Ouro em Ovídio e à ilha dos amores n’Os Lusíadas. Todos possuiem a ideia de perfeição. Mas a diferença é que o quinto império é algo desejado (o que o torna mais grandioso) e que não tem fim, ou seja, manter-se-há infinitamente. Tal como acontece com a ilha dos amores, este império é uma forma de glorificar os portugueses.

 

O QUINTO IMPÉRIO

Estrofe 1:

            No inicío, temos presente uma antítese importante -  triste e contente. Associa-se a ideia de felicidade a comodidade, ou seja, quem vive bem e sem problemas é feliz. Mas por outro lado, diz-se, que esta ideia é uma tristeza, pois impossibilita as pessoas de irem mais além, terem sonhos e tentarem alcansá-los. Faz-se então uma comparação, no qual se diz que, até a “mais rubra brasa”, isto é, até aquela chama mais viva abandonará a lareira.

 

Estrofe 2:

            Temos novamente a ideia de que quem é feliz, na verdade é um tristeza, pois não tem sonhos nem ambições. “Vive porque a vida dura”, vive apenas porque vai vivendo. A alma, a única coisa que lhe diz é que irá acabar por morrer e esta é a lição de raiz, pois a partir do momento em que nascemos, sabemos que acabaremos por morrer.

 

Estofe 3:

            Temos a ideia de que o tempo vai passando e o homem sendo um ser sem sem um objectivo maior, então ser homem, é sinónimo de infelicidade.

            Por outro lado, temos um ponto de viragem no poema quando se diz “Que as forças cegas se domem”. É preciso acabar com a ideia de que somo meros animais que nascem e morrem e adaptarmo-nos à ideia de um objectivo superior, que neste caso será o quinto império.

 

Estrofe 4:

            Após os quatro império anteriores, a Terra será o local onde se formará o quinto império e esta formação terá inicío numa “erma noite”, isto é, um noite solitária, pois cada um vivia a sua vida comodamente sem um objectivo maior e passará a um “dia claro” quando o povo português se unir, para formar o quinto império.

 

Estrofe 5:

            São referidos os quatro impérios anteriores ao quinto. Como sabemos, a idade corresponde ao números de anos que vivemos e esses anos vão passando. O mesmo acontece com esses quatro impérios, eles vão passando, ou seja, são ultrapassados.

            Finalmente temos uma pergunta que acho bastante importante. À primeira leitura, podemos entender que é necessário esquecer D.Sebastião para formar o quinto império. Mas, a meu ver, não é apenas isso. Eu acredito que é necessário aceitar a morte de D.Sebastião para formar o império pelo qual, D.Sebastião lutou.

            Gostaria de relembrar um poema, D.Sebastião, O Rei de Portugal, da primeira parte da mensagem. Neste poema, é referido, a loucura dele. Há um verso que achei interessante, “Minha loucura, outros que me a tomem”. E, de facto, os portugueses precisavam desta tal loucura para conseguirem abandonar a ideia de felicidade, que referi anteriormente e poderem formar o quinto império.

 

O DESEJADO

            O encoberto e o desejado, para mim, referem-se a coisas semelhantes. Eu acho que ambos se referem ao povo português, mas o primeiro refere-se a um povo triste, sem sonhos e o segundo a um povo unido, com objectivos, capaz de formar o quinto império.

            Ao ler, entendemos que este poema, destina-se a Galaaz, personagem da lenda do Rei Artur e é uma pessoa pura e determinada. Este também pode ser visto com uma comparação a D.Sebastião. Mas na minha opinião é o povo português que é o dejado para criar o desejado, o império português. O Desejado pode ser visto como sendo o povo português ou o quinto império.

           

Estrofe 1:

            Pede-se para sair das trevas, sonhar e acreditar num objectivo maior, isto é, erguer para o novo fado, o novo destino, a criação do quinto império.

 

Estrofe 2:

            Aqui refere-se Galaaz mas a meu ver apela-se ao coração, à determinação e ao patriotismo do povo português que conseguirá superar a prova, a criação do quinto império, “erquer a  alma penitente”, alma castigada pelo desaparecimento ou mesmo morte de D.Sebastião, “À Eucaristia Nova”, trazar a Portugal a nova religião, a religião do quinto império.

 

Estrofe 3:

            Refere-se aqui a paz, pois é uma característica importante do quinto império e diz-se para erguer a espada sagrada, em representação do fim do mundo como o conhecemos, unindo o mundo dividido e revelando o santo graal, que neste caso representa a união, a paz e a felicidade para todos os povos e isto seria a formação do quinto império.

 

AS ILHAS AFORTUNADAS

            As ilhas afortunadas são uma lenda medieval. O nome é associado a ilhas maravilhosas que teriam existência real e chegavam a estar indicados nos mapas, ou então eram ilhas que os marinheiros viam, mas nunca eram alcançados. Isto, provavelmente resultava de fenómenos metereológicos, que provocavam miragens.

            Neste poema, refere-se uma voz que ouvimos enquanto dormimos. Dá esperança e diz que o Rei mora nas ilhas afortunadas à espera de um dia para voltar numa hora de necessidade, que neste caso seria a formação do quinto império. O Rei pode ser visto como o Rei Artur, da tal lenda, ou D.Sebastião.

            Contudo, no fim do poema é nos dito que, quando acordamos ou despertamos a voz cala-se. Daqui eu conluí que este poema referia-se, a um ideia, um sonho, um pensamento, uma esperança presente no povo português que é preciso esquecer de forma a unirem-se e formarem o quinto império, pois não podem estar à espera que o rei volte e faça isso por eles.

 

Mark Alexandre Vaz nº17 12ºD