quinta-feira, 7 de março de 2013

Poema:Sou um guardador de rebanhos


1ª Estrofe:
Nos primeiros versos o autor, através duma metáfora, compara-se a um pastor em que o rebanho é os seus pensamentos.
Depois descreve os pensamentos como sendo sensações que ele recebe através de todos os órgãos de sentidos.

Ou seja, o que autor quer dizer com isto é que sendo ele dono dos seus pensamentos também os guarda e mantem juntos tal como o pastor faz com o seu rebanho. Ele diz que pensa com os olhos, os ouvidos, os pés, as mãos, o nariz e a boca, o que significa que os seus pensamentos surgem através do que ele apreende através dos cinco órgãos dos sentidos audição, visão, tato, olfato e paladar.


2ª Estrofe:
Nestes dois versos o poeta diz que pensar é sentir

Ele dá exemplos dizendo que “pensar uma flor é vê-la e cheirá-la” o que significa que basta ele pensar em algo e vai sentir como se estivesse perto do objeto pois pode sentir o cheiro duma flor sem ela estar na sua presença, porque reteve essas sensações no seu pensamento.
Também diz que “comer uma fruta é saber-lhe o sentido”, ou seja através do contacto direto com o objeto, feito através dos sentidos ele compreende esse objeto.

3º Estrofe:
Na 3ºestrofe o autor explica que quando se sente triste por viver um dia com tanta intensidade, deita-se na erva, ou seja junto da terra e da realidade, fecha os olhos e consegue assim contactar com a verdade e ser feliz.
Parece que o autor nos está a dizer que podemos acabar com a tristeza se nos deixarmos de grandes pensamentos complicados e nos ficarmos pelo que nos dão os nossos sentidos, pois é através deles que contactamos com a realidade e podemos ser felizes.
 


terça-feira, 5 de março de 2013

Apresentação oral: Há metafísica bastante em não pensar em nada

            Eu apresentei o poema Há metafísica bastante em não pensar em nada  de Alberto Caiero, mas antes disso falei um pouco sobre este heterónimo.
            Ele é considerado o mestre dos heterónimos pelo próprio ortónimo, Fernando Pessoa. Isto acontece pois, devido à sua forma encarar o mundo, ele consegue viver sem dor e não envelhece em angústia, dado que não procura encontrar o sentido para a vida.
            Alberto Caeiro é extremamente objectivo, por isso vê as coisas como elas são, eliminando todos os vestigíos de subjectividade, daí que ele escreva de forma simples, concreta e directa, mas que, ainda assim, é complexa do ponto de vista reflexivo.
 
1ª Estrofe
            “Não pensar em nada”? O que é? Podemos comparar com as frases: “fui à loja e não comprei nada” ou “tu não jogas nada”. Segundo essa lógica “não pensar em nada” é o mesmo que não pensar. Porém, a meu ver, comprar e jogar não está no mesmo domínio que pensar daí que “pensar em nada” seja não pensar e por conseguinte “não pensar em nada” é pensar em alguma coisa, é pensar nas coisas e na sua essência. Por outro lado temos a metafísica, que é o domínio da filosofia que se ocupa com as questões do ser e do existir. Então pensar nas coisas é pensar na sua metafísica, o que para o poeta não faz sentido e é isso que vamos entender ao longo do poema.
 
2ª Estrofe
            O poeta não dá importância à metafísica, por isso não pensa neste tipo de questões. Mas depois diz que, “se eu adoecesse, pensaria nisso”. Ora a explicação que eu encontrei para isto foi a seguinte: Nós quando estamos doentes não estamos bem, nós estamos em nós, não somos os mesmos. Resumindo estar doente não é normal. Logo só numa situação destas é que o poeta, iria de certa forma contra os seus princípios e pensaria neste tipo de questões, que não é uma coisa normal. Só numa situação anormal é que ele pensaria, pois pensar também é anormal.
           
3ª Estrofe
            Nesta estrofe começa-se por fazer algumas questões no âmbito da metafísica, mas depois diz-se que, pensar nessas coisas não é penar, “… é fechar os olhos…”. Alberto Caeiro dava grande importância aos sentido, especilamente o da visão, pois para ele as coisas são aquilo que são, são aquilo que vemos.
            “É correr as cortinas / da minha janela (mas ela não tem cortinas)”. Ora se uma janela não tem cortinas é porque já se consegue ver o que é suposto ver dessa tal janela logo correr cortinas de uma janela que não as tem, é fazer nada e pensar em questões da metafísica é fazer nada.
 
4ª Estrofe
            Para o poeta, as coisas não têm mistério, o mistério está no facto de as pessoas pensarem nisso, isto porque, para ele não faz sentido que as pessoas pensem no mistério das coisas, pois aos seus olhos não há.
            Depois dá-se o exemplo de que quem está ao sol e fecha os olhos, pode pensar muitas coisas em relação ao sol, mas quando volta a abrir os olhos esses pensamentos deixam de ter valor pois o sol continua igual, no mesmo sítio, a transmitir luz.
 
5ª Estrofe
            Esta é uma estrofe que achei bastante engraçada. Começa por falar-nos da metafísica das árvores, o que, tal como é dito não nos faz pensar muito, elas são verdes, copadas, têm ramos, dão fruto pouco mais.
            Depois faz-se um pergunta que é o motivo pelo qual gostei desta estrofe, “Mas que melhor metafísica que a delas, / Que é a de não saber para que vivem / Nem saber que o não sabem?”. Na minha opinião, é um pergunta retórica ou pelo menos não exige uma resposta, mas tem como objectivo fazer-nos pensar e o que eu intepreto dela é o seguinte: Sorte a das árvores que têm uma metafísica baseada em não para que vivem e ao mesmo tempo não saberem disso, ou seja, o poeta valoriza o facto de as árvores não pensarem na metafísica, pois ele também preferia viver num mundo sem ouvir falar desse tipo de questões. Podemos comparar as árvores com Alberto Caeiro, pois elas não pensam e ele também não, embora ele tenha a capacidade de conceber o acto de pensamento.
 
6ª Estrofe
            Voltão a ser apresentadas algumas questões no âmbito da metafísica e são classificadas como falsas, bem como toda a metafísica, pois essas coisas não existem de acordo com o que é dito no poema. Para o poeta é mesmo incrível que haja pessoas que pensem nessas coisas.
 
7ª Estrofe
            Pensar em questões da metafísica é fazer algo mais daquilo que há para fazer, é algo desnecessário e que não tem razão de ser e isto é explicado na estrofe seguinte.
 
8ª Estrofe
            Não há motivos para pensar no sentido íntimo das coisas pois elas não têm sentido íntimo. Não há razão para pensar em questões metafísicas, na constituição íntima das coisas, no sentido íntimo das coisas, no mistério das coisas pois elas não existem. As coisas são objectivas, são aquilo que vemos.
 
9ª Estrofe
            É feito uma crítica à relegião monoteísta, que é estremamente simples, mas que ao mesmo tempo, faz todo sentido. Eu pelo menos concordo, pois se de facto houvesse um Deus, um ser tão perfeito, de certeza que eles nos daria algum sinal que nos permitisses ter a certeza de que existe.
 
10ª Estrofe
            Quem acredita em Deus, na relegião ou pensa no tipo de coisas que se tem tratado ao longo deste poema, como as diversas questões da metafísica, provavelmente acha rídiculo o que o poeta disse na estrofe anterior, mas ele também diz que essas pessoas não sabem olhar para as coisas como elas são, simples e objectivas.
 
11ª Estrofe
            Nesta estrofe é possível identificar uma característica de Alberto Caeira mencionada, por exemplo, nas Notas para a recordadação do meu mestre Caeiro:
            “O meu mestre Caeiro não era um pagão: era o paganismo. O Ricardo Reis é um pagão, o António Mora é um pagão, eu sou um pagão; o próprio Fernando Pessoa seria um pagão, se não fosse um novelo embrulhado para o lado de dentro. Mas o Ricardo Reis é um pagão por carácter, o António Mora é um pagão por inteligência, eu sou um pagão por revolta, isto é, por temperamento. Em Caeiro não havia explicação para o paganismo; havia consubstanciação.” Ele tinha uma relação íntima com o paganismo.
            Para começar a explicar, paganismo é designação dada pelos cristão à religião politeísta, isto é, que acredita em vários deuses. É possível identificar essa característica nesta estrofe pois uma das características do paganismo é a radical imanência divina, ou seja a divindade está sempre prensente, até na própria natureza.
 
12ª Estrofe
            Então mas se Deus é as árvores, as flores e todas essas coisas não há necessidade de lhe chamar Deus.
 
13ª Estrofe
            E finalmente vem esta última estrofe a dizer que devemos viver naturalmente sem pensar em Deus pois ele é tudo o que está à nossa volta.
 
            Agora em jeito de conclusão e de certa forma para resumir este poema…
            Começa-se por dizer que não devemos pensar em questões da metafísica, pois as coisas são aquilo que são, são simples e objectivo, são aquilo que vemos e a coisa fica mais ou menos por aí.
            Depois entra-se no domínio da relegião, em que se começa por criticar, dezendo que não se acredita em Deus, mas no final, sendo Alberto Caeiro o pagão que é, então o sujeito poético chega à conclusão de que Deus está em tudo à nossa volta, mas isto sempre de forma objectiva, pois está naquilo que vemos e não há necessidade de pensar mais no assunto.
 
Mark Vaz nº17 12ºD

domingo, 20 de janeiro de 2013


De acordo com esta imagem de hopper, e das suas outras obras nós podemos retirar uma certa ideia de solidão, ele ficou conhecido pelas suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade.
É difícil definir a solidão. A solidão é presença inerente à condição de ser homem, assim como o sangue, o esqueleto e os músculos. Quantas vezes, rodeado de gente, o coração bate sozinho. E quantas outras, no silêncio absoluto, num isolamento integral, o mundo se desdobra aos nossos pés.
A solidão não se limita a uma pessoa viver sozinha sem ninguém com quem falar, a solidão existe também por vezes mesmo que se esteja acompanhado na vida, pois como mostra esta imagem de hopper temos duas pessoas que apesar de estarem juntas estão sós não comunicam, cada um entregue aos seus pensamentos e interesses.
Para o filósofo alemão Martin Heidegger, a solidão é o estado inato do Homem, cada ser está por si só no mundo. Assim, cada indivíduo nasce sozinho, morre na mesma condição e vive as suas experiências pessoais também desta forma, por mais que esteja sempre cercado de outras pessoas, pois ninguém pode vivenciar a sua aprendizagem, cabe a cada um enfrentar o seu próprio caminho.






Afonso Limão Nº2

 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quadro de Hopper


O tempo passa. Cada segundo pesa-me nas costas, criando cicatrizes que nunca acabam por sarar. Onde estou perguntam-me. Nem eu sei. Estou algures entre o passado e o presente, mas ansiando o futuro. Sentado num café e ao mesmo tempo perdido num deserto. Vagueio pelo deserto à procura de respostas, mas não sei nada. E cada vez sei menos.
Quem sou eu? Uma simples ideia de realidade? Se assim for não passo disso, uma aparência. O que é a vida? Estou mesmo a viver, ou estarei a sonhar? Se não passar dum sonho eu quero acordar, ver o que existe além do que conheço. Se for a realidade quero aprender, melhorar quem sou. Eu posso estar vivo, mas será que vivo? Será o importante as memórias que vou tirando da minha vivência, ou será o percurso monótono do dia-a-dia? Rezo para que o importante seja as recordações. Rezo… Em que devo acreditar eu? Em Deus, na Ciência, em mim ou nos outros? Serei eu ingénuo por acreditar na ideia de todos eles? Ou serei melhor por ter fé? Não sei, e são estas questões que me dão dores de cabeça, pois não têm solução.
O que sou no Mundo, no Universo? Um ponto ínfimo com grandes aspirações, mas apesar de tudo não serei mais que uma nulidade. Às vezes penso no que sucederia se morresse… Será que renascia, ou será que receberia o conhecimento que procuro? Se calhar o propósito da vida é o de um dia morrer, apodrecer no chão e desaparecer por fim da humanidade, não deixando nada para trás, pois até as melhores memórias desaparecem com o tempo.
O tempo… E de repente estou de volta ao ponto de partida. O que me pareceram horas foram breves minutos sentado num café. Nada mudou.
A rapariga olha para o piano, as pessoas permanecem sentadas. E eu? Continuo na mesma página do jornal. Já lhe passei os olhos tanta vez e ainda não li nada. Encontrei-me com a saída do deserto mas continuo perdido.
E o tempo? O tempo passa.

Memória Despertada

    Sento-me a ler o jornal. A primeira página traz a manchete de uma notícia qualquer sobre a queda das acções na bolsa, acompanhada em baixo por uma fotografia de um homem com as mãos levadas à cabeça, olhando desesperado para um ecrã pintado de uma mixórdia indecifrável de números e letras. Com certeza preocupante, não é, no entanto, esta notícia que me prende a atenção. A Kate, sentada ao piano com o antebraço posto na parte lateral do instrumento e os dedos a dançar sobre o teclado, tenta compor. Vai martelando as teclas e anotando na pauta as notas musicais. Com os olhos a correr as palavras e, no entanto, sem ler absolutamente nada, fico a ouvi-la. É um som familiar e simultaneamente perturbador, feito de notas sozinhas envolvidas pelo silêncio; é uma toada aguda que atinge as profundezas da minha alma e se traduz no despertar de uma lembrança adormecida das minhas origens. É uma música profunda que me arranca pela raiz e me traz uma sólida memória da minha irmã, da minha irmãzinha, que ficou lá para trás no tempo, morta. Era ainda muito menina e já tocava piano lindamente. Oiço agora este piano e solicita-me a recôndita recordação da música que tocava no seu quarto, em aprendizagem monótona, e de mim, também criança, no quarto ao lado, a escutá-la. Este som dentro da minha cabeça, tão presente e doce, não chega a ser verdadeiramente a música que a minha irmã tocava, por vezes, ao final da tarde; é antes uma absoluta e irremediável saudade.
    Oiço, atrás de mim, a chuva contra os vidros. Levanto-me, chego-me junto à janela e olho através dela. Lá fora, a cidade mexe-se em plena consternação. Não a vejo, apenas olho na sua direcção. O prédio em frente do outro lado da rua, automóveis parados antes do semáforo e outros a passar com pressa, uma buzinadela a rasgar o silêncio, a luminosidade artificial das placas publicitárias dos cafés e das lojas ao nível do chão, as pessoas com os seus guarda-chuvas coloridos caminhando nos passeios como formigas nos seus carreiros: tudo isto se movimenta sob um pesado manto de chuva. Todas as coisas existem diante dos meus olhos, mas eu não as sinto a existir. Vejo no conjunto destes elementos, não o seu desenho, não os seus contornos, mas o seu leve sorriso a abrir-se-lhe nos lábios, projectado na paisagem. E sou invadido por uma profunda tristeza.

A Distância


Na década de 50, a vida familiar estava bem delineada ao contrario de hoje, que as mulheres podem desempenhar o mesmo papel que os homens. O homem trabalhava, enquanto a mulher ficava a tomar conta da casa e dos filhos. Os casamentos entre pessoas pertencentes a classes altas nem sempre tinham os mesmos intuitos. A maior parte era por dinheiro e por respeito. Na altura era bastante casual não haver amor entre os conjugues, o que levava a uma certa distância entre estes.
A relação era sempre formal, interagindo da mesma forma com se tratasse de um negócio, cada um cumprindo a sua parte do “acordo” (casamento). Entre estes, em regra existia um certo respeito para com o companheiro, para preservar a boa imagem do casal, que nesta época, a imagem, era uma das coisas mais importantes. A imagem representava o respeito da sociedade ao casal e a importância dada ao nome.
A vida de um casal que se juntou por questões exteriores ao amor (dinheiro e respeito), era apenas uma vida disfarçada. Estas questões levavam ao surgimento de barreiras, que por sua vez resultava na distância entre os conjugues.

Jorge Favinha

Ida ao Cinema


Numa noite de inverno, chovia como nunca tinha chovido antes. Alberto e Joaquina, casados  10 anos, tinham nesse dia feito o que costumam fazer, Joaquina arrumou a casa de cima a baixo, pois seu marido é alérgico ao pó e ácaros enquanto o Alberto trabalhava na sua loja de haute couture, onde é alfaiate. 
No dia anterior Joaquina dissera a seu marido que queria ir ao cinema no dia a seguir, ao que o seu marido respondeu:
- Com certeza, e tens algum filme em mente?
- Sim, o filme de Albert Hichcock, “Um corpo que cai” disse Joaquina.
- Então está combinado minha joaninha amanhã à noite iremos ao cinema.
Mas o que Joaquina não esperava era que chovesse tanto e por isso nessa noite em vez de irem ao cinema o Alberto ficou a ler o seu jornal emquanto sua munher tocava algumas teclas do piano, triste por não puder ir ver o filme que tanto desejara ver.
No dia seguinte era fim de semana. Alberto, sabendo que a sua mulher ficara triste por não ter ido ao cinema, resolve convidá-la para jantar fora e no final da noite Alberto surpreende a sua mulher levando-a a ver o filme que ela tanto ansiava ver.