segunda-feira, 2 de maio de 2011

Exposição/Reflexão sobre Alice no País das Maravilhas


Será Alice um livro para crianças?



Não sei se se deva seguir uma estrutura para escrever esta exposição, porque as maravilhas de Alice são espontâneas, repentinas e o que este livro tem de extraordinário é que as informações quase que são fornecidas à revelia do leitor. Estão escondidas. Mas não como no jogo. Em Alice não existe um "Rebenta a bolha". É um livro onde se passam sempre um turbilhão de aventuras. 
E que aventuras são essas afinal? Gatos que falam? Parvoíce...
Mas afinal o que significa isto? Este Gato, por exemplo? 
Não significa exactamente o que toda a gente persegue? Informações. Sentidos. Direcções. Como uma segunda voz que nos diga o caminho. Talvez se possa relacionar com a existência da religião ou de outros cultos. O sentido da vida é a busca de respostas. Tudo se resume a isso.
As direcções a tomar, as acções a realizar e as consequências que se podem esperar.
E o que podemos esperar de tudo isto? Alice trata-se de um conjunto de perguntas sem respostas evidentes. Mas, bem esmiuçado resume-se a um aglomerado de possíveis soluções, mas ao mesmo tempo aos entraves para a concretização das mesmas.

Um dos tópicos centrais para que a obra nos remete é o conceito e a questão de Justiça. Não seria coerente perguntar o que é a justiça. A quantidade de tentativas de resposta completamente certas é infinita. 
Alice no País das Maravilhas também joga muito com as palavras e com o sentido que lhe pode ser atribuído. A procura de um sentido num emaranhado verbal. Aí está outra vez a procura de um sentido. A Justiça está aí, precisamente. Um conceito de significado utópico, que se relaciona com o alcance imparcial e cego de uma maior igualdade.

Em Alice no país das Maravilhas a Justiça é praticamente inexistente. O apuramento da verdade não interessa e o interesse principal é a sentença.
"Deus deu-nos dois ouvidos e uma boca". Certamente que todas as personagens de Alice gostariam de fosse que ao contrário.

O que acontece com a cadela e com o Rato? A Cadela só está preocupada com a sentença do outro animal. Como pode então existir justiça se cada personagem quer agir à sua maneira. 
Outro ponto importante é que para existir justiça as condições para que seja aplicada têm de ser estandartes e não consoante o que acontece. Alice aproveita-se do facto de crescer para exigir uma justiça que lhe beneficie. Lógico que as coisas não podem ser assim no mundo Real, oxalá ele qual seja. Mas é claro. Este livro é uma prova de que a Lei do Mais Forte está sempre presente. As personagens aproveitam os seus pontos fortes para se colocarem sobre as outras. São usualmente aplicados exercícios de poder, tal como na vida. As relações que cada um tem com o outro são resultantes de uma (ainda que por vezes disfarçada) necessidade de vencer e mostrar superioridade. 



Ao longo da história, Alice é alvo de mutações que dependem do que come ou bebe. Na minha interpretação o autor aproveita para de uma forma bastante indirecta comparar "mutações" que todos nós desejaríamos ter consoante as acções que realizamos. Apenas usa exemplos bastante simples, como crescer e diminuir através do que come ou bebe. Mas se essas transformações fossem possíveis de que género seriam elas?

Quem não deseja ser mais forte em momentos de fraqueza, mais destemido e corajoso em momentos de decisão, menos sensível com situações de limite... Tudo. Todos nós temos os nossos "senãos". Na minha perspectiva o autor utiliza metáforas ligeiras para comparar e ilustrar estas situações.

Neste livro, vestido de Alice, Lewis Carrol não teme experimentar tudo. Contorna um dos problemas centrais desta obra: O problema de não saber quem somos... Quem nunca questionou isto a si mesmo?
Como sabemos quem somos?
Não seremos todos iguais?
Porquê?
Porque cada um de nós sabe que não é o outro. E como sabe? Não sabe, apenas o sente. Na seguinte passagem: "Além disso ela é ela e eu sou eu" Alice não sabe porque não é Mabel. Tudo indica que seja. Mas ela não quer. Ela sabe que não pode ser. E aí reside aquilo que nos torna tão diferentes uns dos outros e tão únicos. O desejo da diferença. A esperança. A capacidade de distanciamento e do poder de decisão própria. O poder da opinião. O poder de sabermos quem somos mesmo quando andamos de cabeça perdida. Porque ninguém sabe o que estamos a sentir. Às vezes nem nós próprios sabemos. Mas sentimos, temos consciência que somos nós e é isso que nos distingue. Não só das outras espécies como uns dos outros. Face a estes factos Lewis tem a oportunidade para experimentar qualquer pele, feitio, expressão, disposição.
Pode dar-se ao luxo de escolher como quer ser, as vezes que quer mudar, sem ninguém ter nada a ver com isso. Pode ir à procura do porquê. Afinal porque não sou a Mabel? Posso sê-lo. Ele tem a oportunidade de expor teorias e pôr à prova experiências que não pode fazer no Mundo Real. Daí a ideia do País das Maravilhas. Tudo neste livro gira à volta daquilo que é fictício, supostamente.

Supostamente…
E na minha opinião é esta a questão que fica no ar?
O que é o supostamente?
Alice é um livro para crianças?

Afonso Ramos Bento Nº4 10ºD

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