segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O conceito de Catástrofe

Catástrofe
O conceito


            Por definição, catástrofe é o conjunto dos últimos e funestos acontecimentos que constituem o desenlace da tragédia. Na catástrofe, os acontecimentos desenrolam-se segundo os actos das personagens e os logros do destino, da necessidade do fatum; encadeiam-se uns nos outros e, por vezes, precipitam a acção no seu curso através das peripécias, que acabam por orientar o rumo do drama em sentido inesperado. Esta mudança brusca é muitas vezes levada a cabo por um reconhecimento de laços de parentesco até então insuspeitados.
Aristóteles define catástrofe como o decorrer de peripécias que provocam mortes em cena, dores veementes, ferimentos ou sofrimento. O filósofo distingue três tipos de acção catastrófica: podem acontecer entre personagens inimigas, desconhecidas ou amigas. Quando ocorrem acontecimentos terríveis entre personagens inimigas, o público não fica surpreendido, uma vez que já era previsível que acontecesse; quando os mesmos acontecimentos se dão entre personagens desconhecidas, o público não estranha, visto que não há uma intenção por detrás dos eventos, pela ausência de laços entre os intervenientes; mas quando ocorre algo terrível entre personagens amigas, ou até entre familiares, como um assassínio, por exemplo, o caso torna-se atroz e pode despertar, no público, sentimentos de tristeza, piedade e até revolta.
A catástrofe, tendo sido conceptualizada no domínio da tragédia grega, género que deixou de existir depois do Renascimento, tem, no entanto, aplicação em géneros actuais ou recentes, como o romance, que também recorre à imitação ou à reconstrução verosímil de acções complexas. Os exemplos flagrantes e mais conhecidos desta osmose encontram-se, no que toca à Literatura Portuguesa, em “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett e em “Os Maias” de Eça de Queiroz, onde se podem com facilidade assinalar peripécias, reconhecimentos e catástrofes, pelo menos latentes.

J. Aragão

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